Translate

sábado, 5 de janeiro de 2019

Bolsonaro e seu Presidencialismo de colisão fazendo inimigos todo dia



O presidente ora se sente ainda em campanha presidencial ora cria inimigos. O primeiro problema é típico de quem se sente inseguro para governar, prometer é mais fácil do que planejar. O segundo, é típico de quem dedicou a carreira a desagregar em vez de conciliar.

Já havia indicadores desses problemas. Na campanha presidencial,falas inflamadas sobre enviar para a "ponta da praia" (onde eram torturados inimigos da ditadura) seus adversários, "metralhar a petralhada" quando a vitória já era certa mostravam que não era uma questão de emoção, mas de não aceitar ter oposição (mas simpatizei com "marginais vermelhos")

No discurso de posse, um momento feito para falar a todos os brasileiros, poderia apenas agradecer aos aliados que viajaram de todo o país para assistí-lo. Porém, celebrou estar livrando o país de anos de socialismo, como se estivesse na guerra fria décadas atrás, mostrando como político que não sabe ideologias de seus adversários com clareza (discordou, é comunista ou socialista ou petista... logo mais acusa de eletricista). É curioso se orgulhar de derrubar uma ideologia e ao mesmo tempo afirmar que governará sem nenhuma; mas não parou por aí. Foi bem além, ainda bem.

No mesmo discurso, falou contra o "toma lá, dá cá", a política tradicional, e nisto temos uma questão interessante. O presidencialismo de coalisão, marca da democracia brasileira há décadas, vira de colisão com um presidente que se orgulha de não precisar de partidos, mas de bancadas, e que tem um banco de desaforos contra outros políticos e partidos acumulado em redes sociais. 

Quando fala em acabar com a Justiça do Trabalho, ele depende de mais votos para Emenda à Constituição do que para outros projetos de lei e simpatia do Supremo Tribunal Federal. Na campanha, reclamou nominalmente de ministros, pôs em dúvida a seriedade do TSE... alguém que não é famoso pela cordialidade precisará ser negociador. Assistiremos com pipoca às cenas do esforço feito.

Logo, precisará explicar àqueles no povo brasileiro que votaram nele como seus filhos precisarão trabalhar mais para, talvez, ter direito a aposentadoria, e o sacrifício que todos precisarão fazer nas regras de transição. Para servidores públicos de empresas e autarquias públicas, precisará explicar como devem continuar seus aliados perdendo seus empregos com privatizações. 

Já reclamou de universidades públicas por diversas vezes, segregou jornalistas na posse e prometeu logo após a vitória das eleições só conceder verbas públicas a órgãos de imprensa que o apoiassem, enfim, ele não quer formadores de opinião ao seu lado.

Mas, o mais curioso é que ele continua falando como se estivesse em campanha, propondo em entrevistas como se ainda não se comprometesse a cada palpite e ofendendo como se não falasse em nome do país inteiro. Foi assim descortês ao elencar presidentes anteriores falando na posse do ministro da Defesa e fazendo questão de não mencionar os presidentes de Fernando Henrique Cardoso em diante, arrancando risadas da plateia tamanha a infantilidade da ação. 

Poderia ser pior e foi, sendo um presidente que bate boca com o adversário de campanha por Twitter. Mostra, assim, que Fernando Haddad e o PT podem ser preocupação dele. Vejamos a conversa:


É preciso ter uma postura mais protocolar, solene, como presidente, pois precisará de votos de uma ampla base partidária em muitas ocasiões no parlamento. Além disso, ao ofender adversários não mostra governar para todos. Parece com nossos amigos que, diante das trapalhadas dos primeiros dias de governo, ainda repetem "melhor do que com Dilma", "pelo menos Lula...". A mesma fixação que têm o presidente reproduz.

O que esperar de tamanha ausência de capacidade de convivência com ideias distintas ainda é uma dúvida na política nacional. Mas serão quatro anos de bate bocas e lavagem de roupa suja virtual para descobrirmos no que vai dar. 

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...