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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Bumblebee, Bird Box e a posse de Bolsonaro

Há algumas semanas, alguns partidos da esquerda brasileira (PDT, PPS, PSB, PCdoB) decidiram formar um bloco de oposição construtiva, em que se comprometiam a dialogar com o presidente eleito Jair Bolsonaro. Não é preciso boicotar todas as suas pautas, mas conversar com lideranças partidárias, ministros e o próprio presidente. 

Na ocasião, não incluíram no bloco político PT e PSOL para não haver algum partido hegemônico e para garantir que haveria negociações, não, como ambos têm defendido, oposição a qualquer ideia que venha do novo governo. Um sinal de que agiram bem vem com a posse do novo presidente, quando ambos os partidos já informaram que não estarão presentes. É um gesto antipolítico. Afinal, não poder estar próximos em um evento protocolar, solene, formal, significativo para a República, apenas por pensar de modo muito diferente mostra falta de preocupação com o futuro político do país. Pois, o Estado brasileiro precisará de suas bancadas para defender alterações em propostas quando ocorrerem abusos. 

Lembro dos dois filmes, que assisti no cinema e na Netflix. Em Bumblebee, um alienígena robô que vira fusca (só por isso já parece não ter qualquer contribuição política, eu sei) perde a voz após uma batalha e usa o que puder (gravações de músicas, sinais de rádio, mímica) para se comunicar com humanos e aliados de seu planeta. Em Bird Box, a moça é criticada por sua irmã, por seu companheiro, pela trilha sonora e pelo que mais existir por nem mesmo com seus filhos criar conexões, sendo necessário naquele mundo caótico não se isolar por não enxergar nas ruas, mas procurar espaços onde podem ver e criar laços com novas pessoas. 

Pensemos em como filmes recentes com muita ação podem ensinar. Se os julgar imaturos, pense na maturidade política de quem se recusa a estar perto de alguém que, com ou sem a presença na foto daqueles partidos, governará o país por quatro anos. 

É o momento para se aproximar de todos, fazer conexões com um novo Congresso, bastante renovado, em nome da democracia e dos direitos humanos, não segundo a vaidade partidária por perder eleições. Mais significante é estar nas mesmas salas para mostrar que discorda, forçar o debate. 

A oposição foi fundamental para que o Projeto Escola Sem Partido não fosse vitorioso. Enquanto os seus defensores faltavam, aqueles que se opunham estavam em todas as sessões parlamentares. É assim que se constroi um cenário político democrático, não se orgulhando de estar ausentes. 

Não adianta lembra que a oposição a Dilma fez o mesmo na sua posse; estavam igualmente errados. Do mesmo modo, quando o governo Bolsonaro escolhe países para desconvidar por discordar de seus dirigentes ou quando o presidente quer escolher quem o governo patrocina de acordo com afinidades políticas (nada de fake news, falou isso após a vitória eleitoral em entrevista ao Jornal Nacional). Fazer política é encontrar formas diversas (como o transformer) de falar e ouvir a todos e criar continuamente novos laços procurando onde possa ver de modo panorâmico (como em Bird Box).

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