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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Hoje é dia do leitor e isso traz boas notícias!


Por hoje ser o Dia do Leitor, é bom recordar a última feira de livros de que participei. Durante a VII Bienal Internacional do Livro de Alagoas, vieram imagens de esperança para os hábitos de leitura do brasileiro. Dias atrás vieram mais.

Na Bienal, escritores com obras voltadas para crianças, pré-adolescentes, adolescentes, lotaram o principal auditório do evento (mais de 1.300 lugares) com enormes filas para autógrafos, inúmeras fotos dos autógrafos e de selfies com seus ídolos em redes sociais. Estive em uma ótima palestra do editor da Panini e jovens reclamavam da distribuição das histórias em quadrinhos ser muito concentrada entre Rio e São Paulo. Era rotineiro ver pessoas abaixo dos 20 anos de idade circulando pelos corredores (estive lá quase todos os dias em diferentes horários), marcando encontro com amigos, divertindo-se entre livros, escritores, poemas, revistas etc.

As almas sebosas pessimistas poderiam dizer que é um evento isolado que ocorre uma vez a cada dois anos, que não contaria. Não é bem assim. Vejamos a espessura dos livros escritos para essa faixa etária, normalmente pouco ilustrados e com mais de 200 páginas (veja o tamanho dos tijolos de Harry Potter, Crônicas de Gelo e Fogo e outras histórias de centenas de páginas). Apenas a editora Aleph publicou quase simultaneamente em 2015 cerca de 15 livros sobre a saga Star Wars e não reclamou de prejuízo em nenhum deles (boa parte está em reimpressão). 

Os encostos pessimistas diriam que o marketing é responsável por isso. Ok Ok... vamos apelar. André Vianco, Eduardo Spohr e tantos outros escrevem fantasia no Brasil. Cresceram e hoje VIVEM DA ESCRITA com uma base de fãs que veio do boca a boca digital em fóruns especializados, gradualmente. Os títulos lançados pelo selo Nerd Books do site Jovem Nerd esgotam-se rapidamente e os compradores dos livros (sempre estou falando de livros em versão impressa) comentam as obras exaustivamente em grupos e eventos especializados. A ficção brasileira vende bem entre os mais jovens e é de fato consumida.

Não me detive em informações acima dessa média de idade para ilustrar que há uma geração de leitores em construção, com oferta de títulos e considerando ler uma diversão como qualquer outra, não apenas obrigação escolar nem esforço. Quem habitualmente lê abaixo dos 20 anos mais de 100 páginas por semana não vai se incomodar com os títulos da faculdade ou com o que precisará para se capacitar para o mercado de trabalho.

Os números oficiais, vindos de exames como o PISA e outros dados são desanimadores. Porém, eles não avaliam a leitura por prazer. Se ela for bem captada pela escola (em escolas do Hemisfério Norte, Senhor dos Anéis é leitura escolar como clássico), se o ritmo de leitura virar ritmo de estudo, os dados podem mudar de uma geração para a outra. 

Nem tudo está perdido, ainda há muitas páginas para serem escritas sobre o assunto.

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