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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Alan Rickman, Severus Snape e a importância de Harry Potter

Assisti a muitos filmes de Alan Rickman, falecido nessa semana. Grande ator, entre estes filmes estava a série Harry Potter, que me cativou e surpreendeu bastante. Os livros despertaram certa curiosidade, mais sociológica que literária. Mas é muita informação de repente, vamos por partes. 

A saga literária pode ter até em seus bastidores algumas lições interessantes. Afinal, a autora teve seus originais rejeitados várias vezes e começou a vender bem sem ser celebridade da TV nem youtuber, simplesmente com crianças e adolescentes recomendando entre si. Para quem disser que a geração que chegará em mais alguns anos à idade adulta não lê, preste atenção à dedicação a séries de livros como esse, considerando quantos foram inspirados nas aventuras do bruxo.

A partir dos filmes, não faltam curiosidades. Afinal, sobram metáforas para atos de intolerância no nosso dia a dia (especialmente em Prisioneiro de Azkaban) que podem ganhar as mais diversas interpretações, considerando homofobia, ideologias etc. com excelentes diálogos sobre o tema. Porém, mais que isso, toda a história tem um elemento interessante: o garoto é destinado a matar o monstro sem nariz que aterroriza a todos, mas não quer dizer que esteja pronto. Ele passa os livros/filmes estudando, sempre em grupo e contando com constantes ajudas de seus amigos. É uma das primeiras histórias em que a garota que mais aparece não é interesse romântico do rapaz, na verdade salva os amigos várias vezes, sendo para mim a real protagonista. 

Para bastidores após a conclusão dos livros, a autora mantém milhões de fãs de todas as idades sedentos por mais informações em fóruns, congressos, um portal que ela atualiza, enchendo parques de diversões, lotando teatros para adaptações, tudo isso por terem se encantado com livros bem antes dos filmes. Nesse contexto, uma Hermione negra no teatro (segundo JK Rowlins, ela nunca disse a corda pele da menina nos livros, apenas que tinha cabelos cacheados e era muito esperta) e a escritora afirma que o grande mestre do bruxinho era gay (e completa depois que não precisava ter "sinais" disso na história, afinal era informação da vida privada do personagem). Não é uma história para estereótipos.

E por esses dias Alan Rickman faleceu. Que descanse em paz. Comoventes as declarações dos demais atores, que o Omelete reuniu bem. Imagine o risco que era a produção. Crianças cresceriam interpretando aqueles personagens. Nas despedidas, todos falavam sobre como um ator com carreira já consolidada passou anos dando conselhos, acompanhando o que faziam fora do estúdio, encerrada a série prestigiando trabalhos no teatro e demais filmes, tratando como colegas quando começavam no mesmo ofício ainda tão jovens. Não é humildade, é humanidade. 

 A tragédia da vida do personagem Severus Snape, tão madura para uma história supostamente para crianças, com um texto, atores, contexto como obra tão ricos, têm muito o que oferecer nesse século XXI. Foi significativo contar com A. Rickman nesse elenco. Vou lembrar de seu personagem quando assistir a Animais Fantásticos e Onde Habitam e de todo esse significado. Vai fazer falta.

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