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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Aranhas e Brasileiros que nos enchem de vergonha

Nas últimas semanas, o futebol brasileiro discutiu questões brasileiras fundamentais. Uma torcedora, vibrando por um time que perdia feio, gritou para o goleiro, negro, da equipe adversária, "macaco". O time reconheceu quem era a jovem, identificou para a polícia quem mais usou o mesmo grito e denunciou todos. Mesmo assim, diante do Superior Tribunal de Justiça Desportiva o juiz foi suspenso por não ter anotado o racismo em sua súmula do jogo e o clube foi impedido de participar do restante do campeonato de futebol (o que já não faria mesmo, estava perdendo em uma eliminatória). 

O jogador, Aranha, anda sendo alvo de novas ofensas em jogos seguintes, mas não para por aí. No último jogo entre São Paulo e Corinthians, gritos homofóbicos dos dois lados chamaram a atenção do mesmo modo que o racismo nos jogos do Santos (onde Aranha é goleiro). 

Existem aquelas ofensas genéricas que servem no calor do momento para qualquer um em um estádio de futebol, desabafos que soam inocentes na multidão ("FDP", "VTNC" e ninguém peça tradução das siglas...). Porém, quando alguém sai de sua casa, junta-se a um grupo de amigos, ensaia hinos para responder a um time adversário em uma competição esportiva e as críticas feitas não são ao desempenho físico, à tática, à escalação mas à cor da pele (comparando a animais para ficar ainda pior) ou à orientação sexual, tem que haver alguma coisa errada.

Para piorar o que já espelha traços do que, coletivamente, a humanidade costuma mostrar de pior, times brasileiros têm ensaiado hinos homofóbicos e racistas. Não se trata de branquinhos de países ricos europeus, mas de morenos de classe média brasileira, a mestiçagem é classe desunida... Se não estiver incômodo o suficiente, há ensaios, lembre. E há mais: há quem se orgulhe, ninguém esconde o rosto, veja as imagens nos sites de programas de TV, no Youtube, onde quiser, não há máscaras. Os atos de ódio de hoje confundem-se com a vontade de se tornar célebre por massacrar alguém, ser reconhecido por ser capaz de humilhar. 

Jogadores brasileiros têm voltado a jogar no seu país de origem depois de temporadas milionárias sob gritos de racismo, com bananas em campo, imitações de símios nas torcidas, nas arquibancadas de outras pátrias. Agora, importamos o que há de pior, como se os racistas estrangeiros reconhecessem os nossos. Se há alguma justiça irônica na história é que esta também é uma classe extremamente desunida!

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