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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Anotações sobre o 1o turno presidencial de 2014

Nessa última semana das eleições, ou pelo menos do 1o turno, algumas conclusões importantes já podem ser extraídas:

1 - Ao contrário do que o senso comum repetia exaustivamente, o resultado da Copa do Mundo e dos jogos não influenciou em nada as Eleições. Pelo contrário: nem a Copa nem as futuras Olimpíadas estiveram presentes nos debates.

2 - Temos três mulheres com destaque mas nenhuma delas tem destaque por ser mulher. O gênero não tem relevância alguma em seus discursos. Se mencionam o papel de mãe, é apenas como uma observação pessoal. Lembro da primeira mulher a se candidatar, só falava na importância de votar nela por ser mulher...

3 - Infelizmente, a vida privada ainda determina as discussões. Aborto, fumar maconha, orientação sexual, práticas que ficam mais próximas da intimidade ditam as principais polêmicas. Enquanto isso, os temas realmente de ordem pública, como saneamento básico, um plano nacional de acessibilidade efetivo, infraestrutura de transportes ferroviários, reforma tributária, continuam tímidos nas discussões entre candidatos.

4 - As redes sociais servem mais para baixaria entre eleitores e cabos eleitorais do que para informação sobre candidatos. É constrangedor como frases fora de contexto, vídeos recortados, charges grosseiras, ofensas diretas espalham-se rapidamente mas ideias faltam. Facebook e Twitter nunca foram redes tão anti-sociais quanto no período pré-eleitoral.

5 - Os principais dogmas das eleições brasileiras se foram. O bipartidarismo entre PT e PSDB, o domínio absoluto de quem tem mais dinheiro e tempo de campanha, o resultado da eleição determinado pelo controle da máquina pública, tudo isso ficou seriamente abalado desde a morte de Eduardo Campos. 

6 - Ser partido pequeno não significa mais ser inexpressivo. O que foi dito por candidatos como minha candidata Luciana Genro e Eduardo Jorge foi comentado durante semanas na imprensa, nas redes sociais, nos mais diversos espaços. A diversidade de espaços para troca de ideias fez com que todos tivessem, pelo menos, como ser conhecidos.

7 - As manifestações de junho de 2013 tiveram seu legado. Mesmo sem haver propostas no discurso de Marina Silva (tudo reduzido a governar "com a sociedade" e que a "nova política" ainda está por vir, vazio), pôde crescer no buraco deixado pela indignação de um contingente imenso de brasileiros que têm aparecido nas pesquisas como sem motivação para escolher um candidato. Quem se apresentou correndo por fora e sem se comprometer muito nas propostas, teve sua oportunidade.

8 - Os desafios para a democracia desta segunda década do século XXI foram apresentados: homofobia e fundamentalismo religioso. O crescimento do peso do voto conservador está evidente nos temas moralistas dos discursos dos candidatos, assim como a dificuldade em se posicionar a favor de uniões homoafetivas.

9 - Lula é a maior sombra da eleição e deve permanecer assim nos próximos anos. PSOL surgiu do PT, assim como Marina Silva. Dilma foi escolhida pessoalmente por Lula, que apareceu incansavelmente em seu horário eleitoral. Todos os candidatos precisam prometer a todo instante não comprometer os programas sociais deixados por Lula. É surpreendente que ele não tenha aprovado a transição por Emenda Constitucional para programas de Estado, tenha deixado para o segundo mandato da Dilma.


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