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domingo, 10 de março de 2013

Por que Feliciano faz bem à Comissão de Direitos Humanos da Câmara

Tem causado grande controvérsia a escolha do deputado federal e pastor evangélico Marco Feliciano à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O deputado, além de acusações por negócios no mínimo estranhos, tem acumulado declarações públicas contra homossexuais e negros, além de já serem um sucesso nas redes sociais os vídeos dele abusando financeiramente de seus fiéis, como o hilário caso em que recebe de um fiel o cartão de crédito mas não a senha e reclama por isso.

Passeatas já surgem, muitas publicações contra a escolha têm sido publicadas em jornais e blogs. Porém, gostei da escolha, com todos seus defeitos. Ela escancara o que é nosso Congresso Nacional. Evita ilusões democráticas e de inclusão social sobre uma estrutura viciada e omissa sobre a sociedade que a elege.

Devido à escolha, torna-se possível perceber como aqueles que defendem os reitos humanos em público, principalmente à esquerda, têm pouca expressão política no Congresso. Não vi suas manifestações de protesto entre outros parlamentares, pela TV Câmara, mas apenas timidamente em suas contas de Twitter e entrevistas para jornais. Além disso, quando havia sido a última vez que alguém havia ouvido falar da Comissão de Direitos Humanos no Congresso? Lembremos que para desaparecidos políticos prefere-se criar uma Comissão da Verdade; seu sentido se manteve tão vazio que qualquer um, e agora está provado que qualquer um mesmo, poderia presidí-la. 

O deputado é tão inexpressivo que quer usar a comissão para modificar posições do Supremo Tribunal Federal por meio de projetos de lei sobre uniões homoafetivas e já afirma que ser deputado e ser pastor não são muito diferentes. Falta um Gabeira, que apontou o dedo em plenário para Severino Cavalcante quando este presidia a Câmara e disse que ele não deveria representar aquela casa legislativa. Mas, falta principalmente porque não há qualquer interesse institucional por esta comissão. O deputado pensa que pode fazer muito, como pensaram os presidentes anteriores da comissão, igualmente deixados isolados onde pouco podem fazer além de falar muito e, às vezes, chamar alguma atenção levantando polêmicas.

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