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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Volta às aulas sob o espírito do ENADE

Nesta semana, volto às aulas como professor, para o ano letivo de 2013.1. Para começar, tive acesso a um evento pedagógico muito bonito, oferecido pelo CESMAC. Professores fizeram belas apresentações de canto, dança, uma performance poética, antes de uma palestra com professor convidado da USP, sobre as práticas pedagógicas. Porém, o motivo para escrever agora é o que se encontrava entre os eventos da casa e a palestra. O presidente da fundação que mantém a faculdade disse: "pena que o ENADE não veja nada disso...".

Sábias palavras. O ENADE é um conjunto de elementos quantitativos sobre a instituição de ensino superior. Portanto, os elementos que a qualifiquem, que mostrem de modo subjetivo o empenho da faculdade, do centro universitário ou da universidade pelo pensamento crítico, pelo diálogo, pela interação professor-aluno, dificilmente seriam mensuráveis.

Trata-se de uma faculdade que teve na primeira reunião docente a palestra de lançamento de um livro de um dos seus professores, que aperfeiçoa o portal acadêmico para oferecer diversos serviços, porém o ENADE apenas quer ver quem tira determinada nota.

Não quero fazer mera apologia ao meu lugar de trabalho, mas expor os limites da avaliação quantitativa sobre elementos difíceis de calcular. A Pedagogia, com base nas Neurociências, prega que cada estudante tem um ritmo próprio de estudo e aprendizado, porém não se sabe o que fazer com quem não cumpre o curso em mais tempo do que o previsto, seja em cursos tecnológicos, de graduação ou de pós-graduação. 

É fácil encontrar universidades pelo mundo que oferecem cursos abertos com emissão de certificados, de curta duração, sobre quase qualquer tema por meio de videoaulas ou fóruns de discussão on-line. Quem tentar fazer o mesmo no Brasil, terá que lidar com diversas autorizações burocráticas do MEC para poder emitir certificados. É melhor, no fim da gestão educacional de grande parte das escolas (vistas em sentido amplo como tais) fazer apenas o básico, para somar pontos quando o "professor ENADE" aplicar sua prova cobrando pouco ou exigindo mil qualificações para quem quiser mostrar mais do que o mesmo. 

Na palestra mencionada lá no começo do que ando escrevendo, o professor dizia que o Brasil não produz ciência. Ele explicou que existem lugares no Brasil onde há pessoas produzindo, há núcleos, mas não o país; pois criamos mais obstáculos do que vantagens para a geração de conhecimento. Enquanto o Estado quiser apenas punir as faculdades que tiverem piores notas em vez de prestar assistência para que melhorem, a reprodução da prática pedagógica será também só punitiva, reprovando e expulsando estudantes. A prática da pesquisa, também, será com base na expulsão, expulsando dos programas de pesquisa dos mestrados e doutorados aqueles que se formam, sem que se observem mais suas produções de investigação científica nos anos posteriores ao título. 

Formalidades, meras formalidades, a cada etapa do que, às vezes, pode lidar com conhecimento.

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