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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Quem cancela o carnaval se é festa do povo?

As prefeituras, em diversas cidades brasileiras, têm anunciado o cancelamento das festas de carnaval devido a falta de dinheiro para isto. Bailes municipais, desfiles de trios, são muitos os eventos que não contarão com dinheiro público do norte ao sul do país. 

Setores da imprensa rapidamente louvaram como sopro de honestidade, como se beber, cair e levantar fossem sinônimo de corrupção. O confete é mais embaixo nesse caso.

O que será gasto por uma Prefeitura fica no Orçamento da gestão anterior. Todo ano, nas épocas carnavalescas, há previsão precedente do que será investido em festas populares, que atraem comércio, turismo, entre outras fontes de receita tributária para o município com gestão minimamente organizada.

É uma infeliz coincidência que logo no começo de mandatos prefeitos que não prosseguem a gestão anterior, que não foram reeleitos, tenham decidido fazer voto de abstinência festiva no carnaval. Quero ver se terão resolvido seus problemas financeiro-recreativos públicos quando já não forem novidade, no seu segundo ano de mandato. Aguardo as festanças com dinheiro público nas folias de fevereiro de 2014 naquelas cidades cujos prefeitos não comemoraram em praça pública o carnaval. 

Porém, há um segundo problema, misturado com o primeiro: não são poucas as cidades em que a única folia ocorre devido ao dinheiro público. Fechem os cofres quando Momo governa e o povo aproveita o carnaval para dormir, na calmaria que fica nas ruas onde não há tradição popular, pelo menos onde não há mais. Até que ponto bailes municipais que não ocorrem se não houver patrocínio público, quando folguedos e escolas de samba (fora de RJ e SP) não se exibem sem verbas de secretarias municipais, podem ser sinônimo de festas do povo?

Não comemoro nem o carnaval público nem privado, cheio de trabalho nos dias de confete alheio. Porém, gosto de saber dos blocos que saem nas ruas (des)organizados por amigos, parentes, colegas de trabalho, vizinhos, para relaxar das regras morais por uns dias. Me agradam os shows gratuitos de artistas que se apresentam ao público por razões afetivas, para publicidade fácil em começo de carreira ou apenas porque faz parte da folia deles. Penso que para artistas mais pobres mas com tradição popular o dinheiro público possa ser um estímulo, mas a dependência torna a festa eleitoreira e, como estamos vendo, sem importância para prefeitos já eleitos em tantas cidades.

Quem discordar, que espere o próximo carnaval e veja se será uma doce ilusão ou promessa de vida no seu coração.


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