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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Lei na Alemanha contra Zoofilia. Mas, precisa de lei?

Na segunda-feira, o Parlamento Alemão aprovou uma lei que criminaliza a zoofilia, a prática de atos sexuais entre humanos e animais. A surpresa mundial foi dupla: de um lado, por precisar legislar sobre algo tão terrível; do outro, porque uma associação de praticantes protestou na saída do congresso. 

Lembrei de um episódio de South Park. As crianças do desenho animado estavam ouvindo os argumentos de pedófilos. Diziam que era amor sob intolerância daqueles que não enxergavam o que se partilha na comunicação corporal entre diferentes idades. Um dos quatro protagonistas interrompeu aos gritos: "Cara, é uma criança e é sexo com ela!". É daí que vem o que mais importa. 

Em cada uma das duas situações, lidamos com vulneráveis, indefesos diante do outro que ali se encontra. Não é à toa que o senso comum no primeiro caso se queira saber o tamanho do animal e no segundo a idade e inocência da vítima. Defendemos nas duas situações quem não pode se defender com tanta autonomia quanto um humano adulto. 

Um entrevistado pelo El País, líder imbecil da associação, dizia ter há anos um relacionamento com sua cadela. Sei o quanto é ridículo o que direi, mas é preciso: a cadela não foi consultada pela reportagem. A frase é necessária neste contexto, afinal para todos os efeitos lógicos, sendo ela irracional, de espécie diferente e submissa às ordens de um dono por boa parte da sua vida (um cão não costuma viver muitos mais anos do que a idade dela), não há relacionamento, mas estupro a animal. 

A liberdade de expressão não significa que a agressão sexual de qualquer tipo possa ser amplamente defendida. Se fosse assim, não teríamos leis assegurando direitos, porque todos poderiam a todo instante contestá-las em vez de cumprí-las. A vida em sociedade seria uma sucessão de medos. 

Espero que outros países não precisem adotar leis semelhantes. Seria muito melhor não confundir dor e afeto, mas por vezes os membros da humanidade não sabem bem o que sentem quando surge alguma emoção nas vidas.

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