Translate

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

E se foi meu sobrinho canino

Nunca tive cachorro. Há oito anos, chegou em casa uma criança peluda, poucos dias de vida, perdido e choroso de saudades da mãe. Foi criado por todos da família, adotado por minha irmã, logo meu sobrinho canino. Crianças peludas talvez criem dentes mais cedo, talvez corram mais e não me importa discutir vantagens sobre humaninhos. São todas crianças.

Se despertasse uma diferença maior, estaria na ausência de maldade. Foram anos contando com alguém que me acompanhou na rua quando quebrei o braço. Solto na rua quando caí, não deixava de amparar. Com a morte do meu pai, foram dias de espera por ele na porta de casa. Com cada problema da vida, alguém pedindo para jogar bola, correr um pouco, andar pela rua. Sem tempo ruim.

Com problemas de saúde por toda a vida e nunca abandonado, envelheceu precocemente. Adoeceu muito, sofreu e se despediu suave e docemente de todos nós aos poucos hoje, até morrer dormindo, como convém a quem deu felicidade e não mereceria agonia. 

Dizia um desenho que todos os cães merecem o céu. Se ele existir, todos merecem, com certeza, pois toda maldade possível é humana. Que assim descanse quem sempre me ajudou a descansar e, parafraseando um poeta, alminha gentil que tão cedo partiste, que viva no céu feliz eternamente, enquanto ficamos por aqui na Terra, tristes. 

Para ter boas lembranças, para aqueles que não o conheceram, seguem vídeos, que poderão eternizar meu colega de quarto de tantos anos.

Dunga Coutinho
2005-2013
 Saudades

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...