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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Três protestos para aprender a protestar


Eles somam menos de uma semana em Alagoas, mas podem render muita reflexões pelos próximos meses. Contaminam lutas que poderiam ter algo relevante a dizer, mas nada dizem. Os fatos: A Presidenta Dilma visitou Alagoas para inaugurar uma fábrica, mas manifestante estiveram presentes; comemora-se a semana do Exército e começou mais uma segunda-feira. Sei bem, não parecem três fatos, mas vamos examiná-los em contexto.
Estão ocorrendo diversas greves de servidores públicos federais em todo o país. Sindicatos e associações organizaram-se para protestar por onde a Presidenta passasse. Militantes sem-terra quebraram veículos da imprensa, da comitiva, desafiaram o bloqueio de segurança e conquistaram que a mídia não desse maior relevância aos protestos de servidores, que estavam separados deles. Perderam um grupo que seria aliado em potencial.


No último domingo, a banda do Exército animava a manhã de domingo com muitos casais dançando perto da praia, famílias integradas, evento comum nos finais de semana na praia de Ponta Verde. O comandante havia pedido que todos cantássemos o Hino Nacional devido a ser o começo da Semana do Exército. Logo após o hino, aproximou-se um grupo de cerca de 30 adolescentes liderados por um professor, de branco e com faixas, o professor com um megafone, falando por cima da música da banda exigindo à PM (?) que parassem de tocar para ouvir que era um absurdo (segundo o megafone) a cota para estudantes egressos de escolas públicas. Foram ignorados por todos que estavam querendo relaxar no domingo ouvindo música, atravessaram a praia sem adesões ao movimento e sem chamar atenção. Espero que os estudantes tenham aprendido que vestibulandos têm que estar estudando domingo de manhã, em vez de ir passear na praia. Não conhecem as regras das novas cotas, pois não perderão suas vagas se tirarem as melhores notas, mas amanhã escreverei especificamente sobre o assunto. Por enquanto a questão é a mobilização sobre um tema que não atrai a opinião pública ter sido feita de modo desastrado e antipático, cheios de gafes e sem sequer uma mobilização relevante.
Hoje, motoristas de ônibus abandonaram passageiros para dar início a uma paralisação, talvez uma greve. Não se sabe o que querem bem, além da ausência de respeito aos seus clientes. Talvez até o fim os dia algo seja dito, mas surpreende que se apele para paralisações grosseiras assim em vez da prévia pauta de reivindicações. Da última vez, há menos de um mês, fizeram uma paralisação quando foi reduzida a passagem de ônibus. Hoje, logo após o Tribunal de Justiça ter mantido a redução. Péssimo momento para uma iniciativa dos motoristas, pois passa a impressão de ser, na verdade, um lockout dos seus chefes.
Toda mobilização exige estratégia, planejamento. Não basta ser capaz de juntar interessados e ter palavra de ordem. É preciso mantê-los, aumentando o movimento e tendo palavras de encaminhamento. Sem nada disso, não serão lutas sociais, mas apenas tumultos, sem apoio popular nem pressão a quem lhes interesse.

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