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quarta-feira, 28 de março de 2012

Prostitutas espanholas mostram: Luta de classes não escolhe classe

Deu na Época Negócios.

Foto da notícia original
Prostitutas de luxo na Espanha recusam-se a fazer sexo com banqueiros enquanto não conseguirem linhas de crédito para famílias pobres. Não se está falando nas famílias delas, mas em pressionar (dizem elas: “Nós somos as únicas com capacidade real de pressionar o setor”) em nome de responsabilidades sociais dos banqueiros. Ameaçam mesmo uma greve no país, o que pode ocorrer na quinta-feira.

Segundo a notícia, muitos clientes dizem ser engenheiros ou ter outras tantas profissões, mas não adianta. Organizadas em associações e acostumadas com os hábitos dos principais gestores do capital, não se enganam.

Em uma peça grega clássica, mulheres fizeram greve de sexo em nome do fim de uma guerra travada por seus maridos em dois lados de um grande conflito. Tudo isto mostra que, diferente do que dissera Marx, a história se repete agora não como farsa mas como consciência de classe. Para além de pensar se seria capital produtivo, improdutivo, em que figura clássica de classe social se encaixariam, enfrentam a crise do capitalismo europeu com os meios de produção de que dispõem. Se Jorge de Lima falaria na mulher proletária, que produzia na fábrica e produzia operários e por isso teria uma dupla jornada, agora temos uma atualização com a resposta àqueles que f***m com a sociedade tendo resposta daquelas sobre quem eles acreditavam que estivessem plenamente submissas a partir do seu corpo. A submissão estava até, não a partir do corpo. 

Como bem mostraria Michel Foucault, esse é um campo para análise de micropoderes políticos. Afinal, se há uma dominação sobre o corpo, se há uma submissão de alguém sob a forma mercadoria vendendo relações sexuais, o controle que se tem sobre uma mercadoria muito desejada e valorizada no mercado (estamos falando na prostituição de luxo) permite a quem dispõe de seu corpo também ter poder sobre quem aparentemente oprime de modo unilateral.

É importante compreender cada crise do capitalismo, percebendo de um lado esforços empreendedores para superá-las e de outro lado as forças que se organizam para recompensar aqueles que mais perdem a cada falência, os milhares de trabalhadores que perdem sua identidade. Neste caso, a identidade profissional estaria assegurada, pois os clientes continuam dispostos a usar o serviço, mas não basta para dar identidade em sociedade.

Se fôssemos capazes de compreender cada aspecto da dinâmica social, cada luta contra injustiças em curso a cada discurso, a cada esquina, talvez fosse possível continuar apostando diuturnamente na capacidade transformadora e contestadora da humanidade para se reinventar e dar novos sentidos às atividades realizadas.

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