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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Mídias Sociais nas eleições: um lento aprendizado para blogueiros

Estive ontem no VI EBA (Encontro de Blogueiros Alagoanos). Foram debatidos, em duas mesas, dois temas: mídias sociais nas eleições e monetização de blogs. Vamos pensar um pouco mais sobre as reflexões deixadas do primeiro tema.

Em certo momento, foi interessante que tenha sido debatido se o Orkut estaria "morto", se seria fundamental para eleições para vereador no interior do estado, se o Facebook seria algo "de elite". Deixo aqui minha oposição a essas ideias. As redes de banda larga não estão bem disseminadas pelo interior do estado. A atualização rápida de amigos caracteriza os espaços não-presenciais de convivência social. Enfim, não há por que falar em nenhuma dessas redes no caso. O rádio é a mídia social para grande parte do Brasil. 

O rádio chega há décadas onde o Twitter não alcança. Não vejo blogueiros com campanhas eleitorais sustentadas no fato de serem blogueiros, mas é fácil ver radialistas. Enquanto a mídia impressa ora encolhe ora se acomoda em nichos, o rádio, seja AM seja FM, continua chegando, como diria James Kirk, onde nenhum homem jamais esteve. Enquanto se trabalha, enquanto se praticam esportes, dirigindo, é o que tem influência contínua sobre milhões. A desatenção à TV ligada como aquário digital faz com que os canais de televisão não se equiparem. É mais rápido chegar com equipe de rádio para uma cobertura do que com câmera, iluminação, microfones mais sensíveis para uma transmissão para TV. Se a internet tem o caráter instantâneo, é preciso mesmo assim lembrar quantos lêem com a mesma atenção textos on-line com o cuidado com que ouvem alguém.

Outra oposição que eu teria no debate de ontem: foi comentado se blogueiros de opinião poderiam ser pagos durante as eleições, com o exemplo do sucesso de blogs de jornalistas, lembrados como mais visitados do que de todos ali presentes. Como diria Ledo Ivo, ledo engano. Se qualquer um dos presentes tivesse espaço permanente na TV ou no rádio, também teria aquela ampla visitação. Além disso, blogueiros de opinião que perdessem sua opinião por pensar de acordo com esse ou aquele partido ou candidato, podem, sim, ser remunerados segundo a sintonia de suas ideias. Porém, qualquer sinal de incoerência ideológica seria suficiente para perder visitas e, com isso, atrair menos anunciantes. Seria preciso escolher como ser pago. Não concordo com a ideia de uma prostituição de todo aquele que trabalhe com ideias. Quem mantém seus fundamentos, seus ideais, não precisa se preocupar com isso, seja professor, advogado, poeta, o que bem entender. É preocupante sempre que alguém generaliza, dizendo que todos seriam assim. Facilita aliviar no máximo a própria consciência ou de conhecidos, mas não ajuda à reputação dos amigos confundí-los com meros anunciantes eleitoreiros. Se o blog escreve sobre ética na política mas seu autor age deste modo, é melhor aposentar o espaço virtual que, parafraseando o poeta baiano, eu não precisarei ler blogs mais, mentir sozinho serei capaz, não quero ir de encontro ao azar...

Não houve tempo nem espaço para dizer, mas o maior problema que percebo para as mídias e redes sociais em eleições desse ano precisa partir das últimas eleições. Nós não enxergamos claramente a distinção entre percepção e reflexão. Repassamos muito rapidamente, compartilhando ou retuitando, supostas notícias, debates apressados, sem parar para pesquisar sobre o assunto antes. Assim, Dilma correu para responder após eleita sobre um crucifixo que não estava mais em sua sala, mas não dá satisfações sobre cada ministro que cai; todos queriam saber nas eleições quem era cristão e quem era a favor do aborto entre os candidatos, pouco importava o que queriam para o país mas suas vidas privadas, com cobertura semelhante àquela que se faz perseguindo celebridades em sua intimidade. É preciso aprender a pensar em termos de políticas públicas para poder contribuir nas eleições.

Repercutir o escândalo da moda não ajuda a entender para que serve um vereador, o que deveria ser mais importante para os milhões de brasileiros que estão entrando em redes sociais desde os últimos anos via pacotes de internet 3G, Wifi se disseminando e lanhouses velozes. Na falta de tal compreensão, se não há entre blogs reunidos quem saiba responder a essa pergunta para milhares de eleitores perdidos entre fofocas à beira da urna eletrônica, mais um radialista que se candidate a prefeito pode repetir o êxito do atual administrador da capital de Alagoas.

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