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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A luta por direitos e contra gordura na Argentina

Na semana passada, assisti à palestra do endocrinologista e advogado Alberto Arbex, no seminário Dialogando desde el Sur, na Facultad de Derecho da Universidad de Buenos Aires. Ele tratou de aspectos do direito à saúde no Direito argentino e brasileiro.

Mais do que isso, foi lembrado que há algo muito interessante que ocorre na Argentina. Lá, existe desde 2008 a ley de la obesidad. Estava no ar um programa de TV chamado "Cuestión de Peso", em que pessoas disputavaam para perder peso. Diversos países exibiram este modelo da Endemol, conhecida pelos reality shows que produz (sim, o programa que você pensou vem de lá também). Acontece que, enquanto parte do mundo apenas se diverte vendo gordinhos suando durante as noites ou uma vez por semana, os argentinos se mobilizaram diante da informação de que cerca de 25% da sua população estava acima do peso (50% dos brasileiros).

Por pressão popular, campanhas de utilidade pública, procura por parlamentares, o apelo público gerou a lei, não sendo algo que o programa de TV de modo algum esperasse. Nada disso é plenamente surpreendente em um país como a Argentina. Lá, pude ver em outra viagem um telejornal da manhã que mostrava a previsão do tempo para o dia e, logo em seguida, os desvios no tráfego da capital devido a manifestações. Como se não bastasse, o jornalista dizia o percurso e horário e local de saída dos manifestantes. Quem quisesse participar, poderia contar com apoio televisivo rotineiro. 

Se lembrarmos dos panelazos de donas de casa para tirar presidentes há pouco mais de 20 anos, do modo como todos parecem lembrar dos principais fatos políticos dos últimos 100 anos e, o que mais dói em qualquer brasileiro alfabetizado que os visite, a dificuldade para ver ruas sem livrarias ou sebos, se prestarmos atenção à politização como traço da cultura nada disso surpreenderá. 

É interessante observar quem é capaz de ser seu próprio formador de opinião, por ter suas leituras em dia e habituais. A informação, de onde vier, servirá à reivindicação democrática contínua. 

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