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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Toda manifestação democrática pacífica com objetivos nobres deve ser no feriado?

Quem acompanha as notícias da véspera de feriado à noite já está cansado de ver a mesma notícia em todos os telejornais. As filas de carros para deixar as capitais e as grandes cidades são sempre quilométricas. Não é difícil sentir-se como Will Smith em Eu sou a lenda caso fique na cidade. Mesmo os serviços voltados aos turistas que procuram descanso não têm a mesma qualidade, já que o público é morno. Tudo fica mais lento. Infelizmente, há uma moda nova para os feriados, protestar.

Historicamente, as greves, paralisações, passeatas visam interromper a vida normal da cidade, comprometer o trânsito, enfim, agitar o cotidiano para que as pessoas desligadas daquelas questões coletivas possam parar para pensar no assunto. Não sei como isso pode ser feito quando a cidade esvazia. Porém, é cômodo para quem não quiser comprometer seu tempo de serviço nem suas compras semanais para casa aguardar o feriado para usar palavras de ordem.

Não se trata de ser contra mobilizações, de modo algum, mas mobilizar gente quando a maioria está ou descansando ou fora da cidade não tende a ser tão produtivo. Não podemos confundir com a reinterpretação de datas comemorativas, como tem sido bem feito há anos com o Dia da Consciência Negra e o 7 de Setembro. Também não dá para confundir com os feriadões de sol em que movimentos sem-terra bloqueiam as rodovias de acesso às praias. Nestes casos, há bloqueio da inércia da classe média, forçada a se posicionar nem que seja contra aqueles que lhes façam sombra impedindo o bronze porque não vão sair do carro a tempo.

Àqueles que considerem que toda forma de protesto será válida, pensem se isso fosse feito em Brasília, onde o expediente parlamentar fica, normalmente, entre a terça e a quinta-feira. que efeitos um feriado no meio da semana teria sobre essa semana? Quem entre aqueles que queremos pressionar estarão atentos à manifestação? 

Infelizmente, marcar passeatas para feriados, todos os feriados no caso desse ano, tem sido útil para manter uma agenda de protestos. Com pouco mais do que algumas dezenas de participantes, a continuidade faz parecer que produzam efeitos, mas que efeitos se pretendia obter? Parece que o único era a própria realização da passeata, marchando já se produz com a marcha algo significativo, mesmo que ninguém além daqueles que estejam andando tenha visto.

Não se pode parar uma cidade quando ela já parou. É preciso fazer isso enquanto ela se move.

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