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sábado, 19 de novembro de 2011

Como explicar a educação brasileira para Paulo Freire?

Não se lida com educação sem estabilidade. Estamos lidando com instituições, que apenas podem se modificar para superar a si mesmas nos serviços prestados. Por este caráter institucional, é preciso tomar muito cuidado com rotinas, para que as pessoas aprendam ali. Infelizmente, parece que o óbvio precisa ser dito e justificado.

O ENEM visa selecionar estudantes para universidades e permite às escolas terem um ranking de qualidade entre si, facilitando aos pais escolher onde seus filhos estudam. O ENEM vaza questões ano após ano e o ministro não se incomoda com isso.

O ENADE inclui em seu ranking do ensino superior faculdades que jamais visitou, mas cujos alunos fazem sua prova. Tem, assim, algumas com quadro de professores e infra-estrutura avaliados e outras não. Mas fica por isso mesmo a cada ano.

O Exame de Ordem da OAB, última tábua de salvação para haver algum filtro de qualidade no ensino jurídico, aumenta seu conteúdo todos os anos, sem diálogo permanente com as faculdades cujos alunos são avaliados e sistematicamente reprovados. Não é raro que comissões de ensino jurídico e da OAB trabalhem isoladas entre si nos estados do país.

É preciso examinar o que acontece quando um número crescente de estudantes aprendem com prazer em cursos gratuitos ou pagos, on-line ou presenciais, com objetivo de escapar da burocracia do lugar onde estão matriculados. A rotina não é instável nas instituições? Constroem rotinas próprias, sem o paternalismo de fazer apenas o que a faculdade oferece imediatamente.

Diante deste quadro, com fim de ano letivo chegando em tantas instituições, é preciso sugerir: desinstitucionalizem-se. Deixar por semanas de férias de ser dependente de uma instituição de ensino é pensar. 

Do Ensino Médio (que só se define por estar no meio, entre o Básico e o Superior, não por uma identidade pedagógica própria) ao Ensino Técnico (invisível para todos que sonham com um diploma mais do que com um emprego) passando pelo Ensino Superior (que sem uma Pós-graduação não se torna efetivamente Superior aos olhos do mercado de trabalho), Paulo Freire vai morrendo por nossa dependência a instituições.

A morte é anunciada. Todos os âmbitos do ensino institucional dependem cada vez mais de conteúdos em expansão. Exigem-se novas e novas disciplinas, diminuindo o tempo para aprender e treinar como ler; reduzindo o treinamento do pensamento abstrato que a Matemática traz e da capacidade de comunicação escrita que viria com Português, Literatura, Redação. O Ensino Superior pensa mais facilmente em expandir cursos do que em procurar o que neles seria essencial. Paulo Freire tem sido vencido pela educação bancária, que acumula conteúdos para informar rapidamente, que se importa em obter indicadores mais do que em interpretá-los, esquecendo de ensinar a pensar por conta própria.


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