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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Desocupados ocupam a USP. Ocupados tomam Wall Street

Há meses, estudantes ocuparam a reitoria da USP. Esqueceram que reitores recebem quem marca hora para ser atendido. Porém, fizeram acampamento, chamaram a imprensa para conversar sobre seus objetivos, desmontaram móveis para que visitantes constatassem que tinham o que defender.

Com base naquela ordeira manifestação estudantil, infelizmente há quem se confunda e defenda o que já se tornou anacrônico, há quem defenda quem depredou, pichou, levou artefatos explosivos (coqueteis molotov foram encontrados pela polícia) para ocupar a reitoria contra a presença de um posto policial. Diante de tamanho vandalismo, quem os defende vê ideologia com facilidade, vê mais do que os próprios "manifestantes".

Estudantes já foram estupradas na USP. Carros já foram quebrados. Há anos que se luta pela presença da PM na UFAL, ou melhor, pela presença de qualquer autoridade voltada à segurança para dirimir os danos. Mas mesmo assim por ser contra polícia surgem manifestações a favor dos estudantes, presumindo sua razão. Lembrem que antes de se apresentar para cantar "Polícia" os Titãs sempre exigem policiamento aos seus shows...

Jornalistas que tentaram falar com os jovens foram agredidos, não deram entrevistas e deixaram-se fotografar em poses jocosas, com simulação gigante de baseado ou dando gargalhadas diante das câmeras. Nada foi dito por seus "líderes" até agora mas ainda assim encontra-se ideologia no que eles disseram? Eu apenas a vejo em um suposto movimento quando ele fala primeiro o que pensa, o que quer. 

Enquanto isso, um movimento verdadeiro já há mais de um mês tomou parte de Wall Street. Como afirma o Nobel de Economia Joseph Stiglitz:
Num certo sentido, os manifestantes de agora pedem pouco: uma chance para usar seus talentos e habilidades. O direito a trabalho com salário decente. Uma economia e sociedade mais justas. Seu desejo é de evolução, não de revolução. Mas num outro plano, eles estão lutando por algo grande: uma democracia em que as pessoas, e não os dólares, falem mais alto; e uma economia de mercado que entregue o que promete (para ler o texto completo, clique aqui).

Tornou-se revolucionário defender a democracia e um emprego. O capitalismo faliu e toda a educação que se consegue vem de fundações ou instituições públicas. A ausência dessa compreensão leva estudantes a depredar patrimônio público em nome da ausência de qualquer sinal de autoridade. O reconhecimento desses limites faz outros jovens lutarem por espaço nessa sociedade. É a distinção entre o acesso à sociedade e repudiá-la, entre a vida produtiva e a criminalidade. 

Para mais ideias sobre a triste depredação da USP:

Xico Sá: Baseado no patético final da ocupação da USP
Gilberto Dimenstein: São apenas delinquentes mimados

1 comentários:

Everson Belo disse...

Pois é, professor, faço das suas as minhas palavras. Esse imbróglio precisa chegar ao fim. Está na hora de lutarmos pelo que realmente vale à pena. Abraço!

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