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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O silêncio dos professores grita nos ouvidos da sociedade

Durante o filme O Leitor, há uma cena importante com um debate em uma universidade. Estudantes haviam acompanhado naquele dia uma sessão de julgamento de mulheres que conduziam judeus aos campos de concentração. Um dos estudantes reclamou muito e saiu do grupo. Ele dizia, indignado, que considerada tudo aquilo um grande circo sobre as quatro mulheres, pois a maioria da população preferia não saber nas décadas passadas o que acontecia nos campos, o porquê da fumaça preta que deles saía, o que acontecia com as pessoas conduzidas pelos vagões, expulsas de suas casas, crianças retiradas de escolas. 

Em Alagoas nessa semana, o governador descobriu, após cinco anos de mandato, que a educação pública está em crise. Decretou emergência na educação, com 40 milhões sem licitações para reformas de escolas cujos tetos caíram. Ao todo, mais de 150 obras faltando um ano para as eleições municipais. 

Não há mobilização alguma de pais de alunos contra a omissão por tantos anos. Muito menos há mobilização dos alunos por qualidade do ensino. As estatísticas sobre o papel da titulação na empregabilidade pouco têm importado para quem está há tantos anos como parte deste ocaso. O abandono anestesia. Porém, há entidades que os representem. Aos estudantes, há UNE, UBES (?), grêmios estudantis em escolas. Sobre os professores, há um sindicato, há associações docentes, em tempos de greve nas escolas públicas chovem representantes que ainda não se pronunciaram. A eficiência é enorme para a mobilização em greves por salários, mas há tantos outros problemas para se mobilizar.

Para instituições particulares de ensino, há um só sindicato cujo público "defendido" e "representado" seria do ensino fundamental à pós-graduação. Quem já viu suas instalações e quantos lá trabalham poderia até ficar indignado. Mas se aborrecer não basta. Há eleições, têm que haver, e o público representado é imenso, mas a estabilidade provisória sindical pesa com o tamanho da responsabilidade que vem junto. Fica então servindo apenas para homologações de demissões e nada mais.

Algumas grandes redes de escolas e faculdades particulares têm sido denunciadas por irregularidades em unidades de algumas cidades. As redes sociais fazem com que todos tenham acesso à informação. Ela se perde. Nem mesmo como consumidores há mobilização.

Será que não há vereadores, deputados estaduais, federais, que se ocupem de examinar tais contas públicas? Por onde foi andar o Ministério Público, o Tribunal de Contas, enquanto o estado decreta emergência sobre uma tragédia antiga? Não vi passeatas, marchas, mobilizações, nem as inócuas mas bem intencionadas campanhas via twitter. 

"O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons." 
(Martin Luther King)


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