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terça-feira, 27 de setembro de 2011

No Facebook não tem farofa, nem terá

Foram anunciadas mudanças no Feicebuque. Agora, é possível preencher uma linha de tempo (Timeline pra ser chique) com informações desde seu nascimento. Questão de semanas para todo mundo estar usando.

O objetivo é bem demarcado e inteligente: fazer com que tudo de nossas vidas seja colocado lá, como um diário para todos. Quem procurar no Google estatísticas de quantas fotos do mundo on-line estão nessa rede social ficará assombrado e entenderá o que se quer: que sejamos consumidores generosos, que divulgam tudo com que temos contato para facilitar agências de publicidade conhecerem mercados com menores despesas e empresas entrarem em contato mais direto com seus futuros clientes.

Cada vez mais procuramos produtos, divulgamos do que gostamos para mostrar às bolsas de valores que a diversidade lá na marca azul de letras brancas de mercado é imensa e assim valerem cada vez mais. Mestre Rodrigo Toledo encaminhou imagem que mostra o que é a vida nessa rede:


Pois é. Não basta ouvir música, é preciso dizer o que está ouvindo, coletando "joinhas" para que todo mundo saiba e assim o artista tenha seu valor ampliado. Portanto, produzimos capital a cada palavra que escapa por lá. No Faicebuque não existe farofada, tudo rende para alguém.


Porém, também não existe farofa. Por mais que logo, logo, seja possível comprar farinha com especiarias para incrementar a culinária, a percepção vem dos sentidos e, mesmo que ouça música, não tem a sensação que vem com um show ao vivo, com um livro nas mãos (vá lá, mesmo e-buque), com um bolo de farofa se desfazendo entre os dentes e espalhando pela língua. Não dá para descrever.

Se alguém perder tempo dizendo que perdemos tempo em redes sociais quando poderíamos estar socializando (?), então é preciso lembrar que apenas existe informação para ser repassada porque existe vida. Há o que dizer porque existem experiências no dia a dia. Quanto mais ricas nossas convivências, melhor para nós e ainda bem que há como trocá-las para que possamos incrementá-las. 

Porém, para aqueles que usam páginas próprias entre os WWW para deixar suas visões de mundo, por meio de blogues, fotologues entre outros logues, paremos para pensar faz favor: se a tela azul de letras brancas já detém mais de 900 milhões de perfis, o maior banco de fotos on-line do mundo, os maiores contratos para divulgar música e vídeo pela internet (aguardem as próximas semanas que é o bicho), que liberdade efetivamente de expressão nós temos? 

Os gestores sem rosto e eleitos por ninguém das redes sociais podem excluir perfis sem dar satisfação a ninguém. O querido site Omelete, semanas atrás, desesperou-se porque sua conta no Twitter foi bloqueada sem nenhuma satisfação e, uma semana depois, foi desbloqueada também sem qualquer explicação.

Tudo isso é possível porque geramos capital mas não é para nós, mesmo que tenhamos alguma forma de comércio ou márquetingue eletrônicos por meio de redes sociais. Comparado ao que se conquista financeiramente com a nossa simples presença ali, com a profusão de dados que fornecemos gratuitamente mantendo pessoas on-line de frente a anúncios da rede, nossos ganhos são ínfimos. 

Que cuidados tomar? Aqueles mesmos que a farofa de cuscuz ensina: aprecie quente, mas cuidado com a língua para não se queimar. Se o calor deixar dormente, não sentirá mais nada por algum tempo e ficará indefeso para o que está por vir.

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