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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Por que recomendo greve nas universidades federais

Desde que estudei na UFAL na minha graduação em Direito, há um círculo vicioso em curso. São feitas assembleias cheias de reivindicações justas, grandes investimentos emocionais, grupos se formam, há indicativos de paralisação, até que se forma um grande número de instituições federais de ensino superior e entram em greve. Isto deve ocorrer mais uma vez na próxima semana. Chamo de círculo vicioso, não virtuoso, sem ofender o movimento grevista. 

O problema está na rotina de reivindicações. Penso que seria mais interessante pensar, para as próximas greves que para a desta semana já é tarde para propor algo e mesmo que pudesse não faço parte da categoria, em outros temas. Por que apenas se consegue reajuste salarial como professor universitário federal por meio de greves bienais? Onde vão parar as reivindicações não atendidas entre uma greve e outra, como investimento em laboratórios, ampliação de bibliotecas etc.?

Talvez fosse fundamental centrar esforços, em futuras manifestações, em um dos grandes problemas do ensino superior brasileiro, público ou privado: a produção instável de pesquisas científicas em vez de institucionalizada. Quem tem bolsa, precisa lutar mês a mês para que ela não atrase. Enquanto isso, o curso precisa lutar para que não perca as bolsas a que teve direito no último edital. Por outro lado, é preciso conferir se orientadores não precisarão deixar de orientar por investimentos na própria formação profissional. Sem contar que nem mesmo há, nas particulares que não sejam confessionais ou fundacionais, a garantia da permanência do orientador na orientação por risco de perder o emprego.

Os sindicatos brasileiros que se tornaram fortes nas últimas décadas na indústria têm como uma prática contínua avaliar não apenas a greve vigente mas o impacto das últimas paralisações. É preocupante, muito preocupante, que as universidades federais brasileiras, sendo como regra as maiores instituições de ensino superior em cada estado, não tenham qualquer impacto no cotidiano das capitais quando param suas atividades. Como regra, formadores de opinião em diferentes setores da sociedade ensinam nestas faculdades, mas, mesmo assim, interrompem uma de suas atividades profissionais de forma nacionalmente coletiva e não se geram impactos fora dos muros dos campi. 

Círculos virtuosos surgem de resultados positivos acumulados e em escala ascendente. Se não há um espiral de vitórias, mas um funil de acomodações diante de pequenos reajustes, toda uma pauta construída à base de suor em diversas reuniões torna-se inócua. Não é êxito, mas derrota. Mais do que ideologias, greves são feitas por pautas profissionais. Porém, quando se trata de atividades que demandam ensino/pesquisa/extensão, há um preço muito alto em discussão para a sociedade civil. 

Não me posiciono contra nem a favor da presente greve. Estou distante para isso, sem ser docente nem discente da UFAL. O problema não está em parar as atividades, mas em refletir se há condições para que não sejam necessárias novas greves com os mesmos objetivos.

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