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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Movimentos inflados e ideias vazias

No dia 10, integrantes do Anonymous divulgaram que destruiriam o Facebook. Apesar do possível exagero, em respeito ao gigantismo do que os hackers conseguiram fazer nos últimos meses, preferi esperar antes de escrever sobre o assunto. Naquele instante, os sites oficiais do movimento advertiram que eram apenas alguns entre eles que queriam acabar com a rede social, não era uma meta de todos. Não o fizeram, porém mais importante do que quantos queriam é pensar no que defendiam.

Aqueles que administram as páginas oficiais da internet disseram que não eram a favor: "Nós preferimos enfrentar poderes reais e não aqueles meios que nós usamos como ferramentas". É uma distinção fundamental por vezes negligenciada, meios e fins. é semelhante à romântica e anacrônica crítica à manipulação popular feita pela TV.

Não creio que a TV manipule tanto, ou as campanhas de saúde pública seriam mais eficientes. A cada grito de José Luiz Datena por providências haveria uma passeata nas ruas de São Paulo. De seus clones por programas policiais de todo o país, partiria a população unificada. Porém, é mais fácil acusar o meio por nosso silêncio coletivo. Enquanto o inferno forem os outros, fará sentido o clamor de um velho rock brasileiro para que "Deus, por favor, apareça na televisão". Não temos fins claros. Chilenos com fins claros estão há dois meses mobilizados pela melhoria do ensino superior. Enquanto isso, é útil ter a quem acusar por não nos informar.

Um outro aspecto que, infelizmente, parece estar na moda em cursos superiores diversos entre estudantes, é acusar uma farsa da democracia. Se antes o  problema no raciocínio estava no anacronismo (ideias que não correspondem claramente ao tempo presente), agora é questão mais simples de examinar, falta o devido silogismo. Se para reclamar continuamente for necessária a democracia e eles possam reclamar, então o problema não é de falta de democracia, ou teriam sido calados de seu protesto. Se é possível reclamar por  faltar liberdade de expressão e nada acontece com quem reclama, há algo errado nos objetivos do protesto.

Anonymous sofre por um lado de seu gigantismo, mas por outro lado mantém a coerência. Estranho, pois um movimento por natureza anônimo e sem lideranças consegue ter mais coerência do que tantas agremiações que existem há muito mais tempo, com nome, sobrenome de seus integrantes mas ainda procurando uma ideologia para viver.

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