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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Escolha o inimigo e use bem as armas (e visite Catraca Livre)

A "mídia", o "governo", os "políticos" são generalizações fáceis de odiar. Infelizmente, está ficando ainda mais simples fabricar indignações instantâneas. Nesta semana, A Liga mostrou diversas pessoas que vivem de vídeos publicados na internet. Percebi que entre aqueles que se orgulham de suas opiniões predomina quem grave contra bandas de rock e filmes voltados ao público adolescente. Mesmo que quem esteja gravando não pertença à faixa etária. No mesmo período, Rita Lee, Bruno Mazzeo e Lobão (mas este toda semana, já não conta) fizeram críticas a mesmos fenômenos pop. Creio em artistas que tenham produção própria para mostrar, em vez de se promover com rabugices sobre o que outra geração produz, por pior que possa ser.

Ao que interessa, então: Os aparelhos culturais das cidades estão abandonados. Gilberto Dimenstein é responsável pelo site Catraca Livre. É um esforço coletivo que agrega eventos públicos 0800 em São Paulo. Tenho convicção de que as celebridades acima mostrariam mais utilidade se, em vez de reciclar críticas a jovens que vivem de música (se boa ou ruim, não ouça se não gosta), divulgassem concertos, filmes, peças que estão disponíveis. Talvez alguns não sejam bons, mas precisam de público para que se saiba disso.

Uma boa diversão é procurar as primeiras gravações de artistas cultuados como acima da capacidade de errar. O Youtube tem primeiros shows de muitos. Será fácil constatar que não era nada muito melhor do que o que está sendo criticado hoje. Mas é garotada que está aprendendo. Quem sabe morre como banda de um sucesso só, sem que precisemos divulgar o tempo todo seus nomes, ou amadurecem. Gosto das mutações de Sandy & Júnior na carreira: de crianças gracinhas filhos de Chitaozinho e Xororó (antes que digam que é de Chitão e Noemi, a piada sempre será boa) para ícones do pop brasileiro para um roqueiro underground e uma cantora de jazz.

Voltemos, por gentileza, ao primeiro parágrafo. Com os vídeos em que falam mal de artistas mirins e coloridos de hoje conseguem mais de um milhão de visitas em poucos dias na internet, de espectadores que já viram as mesmas críticas em outros vídeos e que já devem fazer por conta própria em redes sociais aos seus amigos as mesmas reclamações. É muita dedicação a algo detestado.

Que tal o exemplo argentino, em que preferiram replicar críticas a presidentes derrubando-os, na Itália que está quase comprometido um novo mandato ao Berlusconi, ao Oriente Médio em que jovens derrubam um tirano após o outro, na Espanha em que exigem emprego? Escolhemos melhor os inimigos e as lutas. Temos boas armas on-line, mas de nada servem se o objetivo for dizer "odeio ouvir isso ou aquilo". Se não conseguir mudanças políticas significativas, garantirá pelo menos algum público regular para artistas de sua cidade e, quem sabe, dará menos dinheiro para video logs que comentam on-line o que todos dizem.


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