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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Fora governador? Vou não, posso não, quero não, o bom senso deixa não...

O presidente Efeagácê foi eleito democraticamente. Nesta condição, o presidente tinha direito a concluir seu mandato e, quem estivesse insatisfeito, apoiasse outros candidatos nas eleições seguintes. Durante seu mandato foram exigidas respostas sobre problemas diversos, mas foi eleito democraticamente. Não houve processos por crimes políticos durante seu mandato, não sofreu denúncias diretas significativas. Porém, falar isso parece enquadrar automaticamente alguém como um tucano, neoliberal, filho da mãe, entre outros adjetivos que a preguiça de pensar pode gerar.

Durante 8 anos, o PT fomentou o "Fora FHC", desrespeitando a ordem republicana. Como partido político, tinha o dever de se expressar no cotidiano parlamentar, pela imprensa, por meio de foruns em comunidades e universidades entre outras instâncias democráticas. Agora, fora deste ou daquele partido mas com a mesma má vontade de refletir sobre políticas públicas, surge outro "Fora alguém".

Agora é em Alagoas. Hoje ocorre uma manifestação em que se prega o fim do mandato de um governador reeleito contra o qual não há processos por crimes no exercício do mandato. Repito este aspecto porque durante a semana foi mencionado que seria um protesto dos "caras-pintadas", anacronismo para relembrar outros tempos políticos no Brasil. Quando se grita "Fora..." é preciso ter algo para por no lugar, mas não há proposta alguma sobre isso a não ser evitar avaliar politicamente o estado.

É mais simples o escapismo. Fugir do problema, afastá-lo, como se uma pessoa encarnasse todo o mal, como se gritar "Fora fulano" equivalesse a um exorcismo político. Lembro aos empolgados que estejam pintando a cara hoje: quem assume é o vice. A propósito, boa parte dos empolgados que gritam "Fora..." certamente o fazem sem conhecer a linha sucessória do mandato. 

Provavelmente, faltam denúncias ao Ministério Público. Devem também faltar avisos à imprensa. Igualmente, a participação em audiências públicas. Toda pesquisa pós-eleitoral mostra que a maioria esquece em quem votou como parlamentar nas últimas eleições semanas após o pleito. Mesmo assim, grita-se "Fora...".

Fica uma recomendação para quem quiser perder tempo fazendo isso. Sugiro a leitura da Revista Piauí de maio. Há uma triste, muito triste, reportagem sobre o ocaso de Alagoas, "Engolfado pela violência". Há bancas de revistas no caminho da manifestação. Para em uma e, para não perder tempo com palavras de ordem vazias, senta em alguma praça do percurso para conferir a reportagem. Após a leitura, talvez aqueles que diriam "Fora Teotônio" prefiram dar o fora daqui.


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