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terça-feira, 31 de maio de 2011

É possível produzir pesquisa em faculdades particulares? Sim.

Mais de 90% da pesquisa nacional é em universidades públicas brasileiras. Há faculdades particulares com programas de iniciação científica eficientes, com cuidado também para triagem de trabalhos de conclusão de curso, mas não é tão comum que tenham programas coletivos de pesquisa. Faço parte de duas iniciativas de bom tamanho que enfrentam as estatísticas em faculdades particulares.

No último sábado, lecionei Introdução à Sociologia para os estudantes que compõem o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Direito, Sociedade e Violência (foto acima, enquadrei mal e algumas filas inteiras de alunos não aparecem). Está sendo realizado um curso de formação para a pesquisa, que conta com 131 alunos inscritos (pré-selecionados por histórico de notas) e uma média de 100 participantes nas aulas. Eles têm aulas aos sábados de Antropologia, Política, História, temas sociais do Direito contemporâneo etc. durante tres meses. Depois, serão selecionados quatro para durante um ano realizar uma pesquisa sobre violência em Alagoas, escolhidos por meio de projetos de pesquisa. 

 A atividade integra a FADIMA, Faculdade de Direito de Maceió, que faz parte do CESMAC, sob a coordenação dos professores Sávio Almeida e Fernando Amorim. Foi possível encontrar, portanto, um grande número de estudantes que se dispõem a reduzir o fim de semana para uma atividade que não somará pontos para as notas das disciplinas da graduação. Porém, não é a única atividade possível.

Por vezes, é possível também por iniciativa de professores. É o que acontece com o projeto do professor Paulo Messias, na Faculdade Mauricio de Nassau em Maceió. Com ele e os professores Luciana Beserra, Helenice Moraes, Bruno Oliveira e Ana Luiza Fireman, orientaremos um grupo de estudantes para que, no fim do ano, produzam capítulos de uma coletânea em Direito do Trabalho. Será lançada em evento no Centro de Convenções de Maceió, em novembro. 

Acima, há uma imagem da primeira reunião, realizada na última terça-feira. Não estão todos os participantes. Alguns justificaram a ausência. São estudantes do 5o ao 8o período. Aproveitarão seus capítulos desenvolvendo-os nos anos seguintes como trabalhos de conclusão de curso e serão orientados sobre como aproveitá-los em pós-graduação. Terão acompanhamento metodológico e revisão gramatical constante do que estiverem escrevendo, por parte dos professores vinculados à atividade. 

É possível afirmar que ambas iniciativas ainda estão nos primeiros passos, que há muito que pode dar errado, que muitos desistirão pelo caminho. Segundo os organizadores de ambas, não é só o começo mas a primeira turma de muito tempo. O interesse por institucionalizar as duas práticas serve como boa garantia de que seja possível esperar produção de conhecimento.

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