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segunda-feira, 7 de março de 2011

Se beber... não beba?

 "Ei, tu quer beber? Pois então..." 

As campanhas de prevenção aos males do carnaval não costumam funcionar. São voltadas a um público que não está muito interessado nelas. Vamos partir da ideia mais simples de todas: não beba.




Beber é objetivo. Dirigir é meio. Assim é fácil relacionar as duas mensagens. Afinal, é de carro que se vai para o lugar onde se vai beber. Se alguém vai de ônibus, é esquecido pela campanha. Então, não haveria por que começar com "se beber, não dirija". Afinal, dirigir só será um problema depois de beber.Seria melhor, então, que a campanha dissesse "se dirigir, não beba". Nem todos estarão dirigindo mas presume-se que a maioria esteja bebendo. Assim, a mensagem será mais clara. Porém, deixando de lado os exercícios de lógica, alguém apenas vai, como dizia outra mensagem inútil, "passar a chave", escolher "o motorista da rodada" como está mais na moda, depois de ter bebido. Não é bom momento para esperar senso de responsabilidade de alguém.

Do mesmo jeito, são inúteis as campanhas de prevenção à AIDS. É possível engravidar, é possível adquirir diversas DSTs, é possível magoar pessoas, mas a única finalidade da prevenção parece ser a AIDS. Más companhias sem sexo, que batam, puxem as mulheres pelos cabelos, beijem à força, não têm qualquer campanha de prevenção. É comum ouvir que quem está ali no meio da multidão está pronta para tudo, já que supostamente vale tudo no carnaval. Se vale tudo, para que cordões de isolamento nos blocos? Para que reforço na segurança pública? Porém, mesmo a aparentemente simples mensagem em prol da camisinha é patética, sempre. Afinal, o público-alvo usará o preservativo embriagado e o pedacinho de borracha precisa de alguma coordenação motora e muito senso de responsabilidade. Se beber, não transe? Seria mensagem melhor?

Ou seria melhor apostar que cada um é adulto e capaz de assumir os próprios riscos sem que o Estado lhes diga o que fazer na vida privada? Vi uma vez um homem escolhendo maço de cigarro em banca de revista. Ele escolhia assim "me dá o que tem o câncer de pulmão". Ele colecionava as ilustrações de cuidado. Achava as fotos interessantes. Curiosamente, disse que só não queria a que mostrava impotência sexual. Duvido seriamente que qualquer sujeito adulto, duvido mesmo que qualquer criatura adolescente, não seja plenamente ciente dos cuidados que deve tomar no carnaval: guardar bem a carteira, andar com pouco dinheiro, passear em grupo para um se amparar no outro, alugar casa para folia com antecedência para pegar preço melhor, é fácil ver a lista de cuidados que são tomados com frequência. Carnaval é todo ano, cria certa rotina. Se há cuidados que não se toma, que cada um se cuide.

Enfim, adaptando um ditado: Quem pariu a folia que balance.


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