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sábado, 19 de março de 2011

Por que o Antiobamismo é anacrônico

Hoje, o Presidente dos Estados Unidos visita o Brasil para acordos diversos com a nossa Presidenta. Como nunca antes na história desse país, chefe de Estado brasileiro(a) deixa o beija-mão aos EUA e é recebido(a) por um presidente de lá. Mais: a pauta da visita foi meticulosamente de interesse nacional mais do que estadunidense. Não são poucos os comentaristas políticos americanos que não entenderam, diplomaticamente, as razões da visita. 
Obama criou um sistema de saúde pública aos EUA nos moldes do sistema brasileiro, tem reduzido tropas no exterior, se opôs à opressão iraquiana e à continuidade dos presos em Guantanamo. Apenas para dizer uma parte das suas pautas como presidente, que o fizeram ser sistematicamente acusado de comunista e estrangeiro pelo Tea Party, já fica difícil entender a continuidade do antiamericanismo de manifestantes que se opuseram à visita. 

Como se ainda fosse uma Guerra Fria, como se ainda estivéssemos devendo ao FMI, como se não fôssemos o mais emergente dos emergentes, francamente, até anacronismo precisa ter limites. Se o mais avançado que uma parte da esquerda partidária brasileira costuma dizer é Yankees go home! e o que um dos partidos consegue manifestar são coquetéis molotov, não daria para ser mais reacionário. Ah, foi possível. Um dos partidos conseguiu a primeira notícia própria de destaque no ano: com a prisão dos manifestantes (que ainda garimpo em notícias online contra o que exatamente se manifestavam) estão posando de presos políticos. 

Odiar um inimigo distante é uma tática simples para não assumir responsabilidade pelos problemas que temos diante de nossos narizes. Não é à toa que, mantida essa tática por décadas, quando o inimigo distante se aproxima ideologicamente e geograficamente tantos se atrapalhem. É pior do que anacronismo, é acomodação com verniz ideológico. 

Lamento ter que informar àqueles que brincam de rebeldes, mas presidentes têm que visitar outros países, principalmente se forem aliados. Não estamos em guerra contra país algum, então nada justifica que recusássemos a visita de um chefe de Estado estrangeiro. Quem pode fazer isso com o presidente daquele país são hoje os governantes da Venezuela, da Coreia do Norte, do Irã. Prefiro que meu país receba a visita de alguém que não é convidado por aqueles Estados sem direito.


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