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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Preparando-se para tragédias naturais

Já se passaram quatro semanas. No fim de semana seguinte às enchentes das serras do Rio de Janeiro, a Folha de São Paulo publicou sugestões preventivas, para que aquilo não mais se repetisse. Tudo começava por recordar o Projeto Esfera, criado após o genocídio de Ruanda.

São medidas práticas que a população pode tomar para se preparar rapidamente para socorrer vítimas de tragédias naturais. Tudo decorre de contas simples: cada pessoa precisará de 7,5 a 15 litros de água para beber, cozinhar e manter sua higiene pessoal. Além disso, precisará ingerir 2.100 calorias/dia e contar com 3,5 m2 de abrigo.

O jornal, com ótima pesquisa sobre tragédias passadas, lembrou que, após o terremoto de Kobe, no Japão em 1995, um arquiteto japonês desenvolveu tendas de papelão reciclado e reforçado que são resistentes, à prova d'água e de fogo, com material isolante. A ideia, barata, fácil e rápida para montar, foi usada para garantir abrigo provisório para as vítimas do tsunami de 2004 no Sudeste Asiático.

O jornal ainda lembrou das mudanças tecnológicas da Cruz Vermelha, usando GPS para localizar vítimas e novos softwares para logística de grupos de voluntários. Um problema muito comum é concentrar a assistência, o que beneficia rapidamente um centro de comando das operações, mas enfraquece ainda mais áreas onde a tragédia seja maior e que estejam mais distantes. Essas medidas tecnológicas permitem mudar esse cenário. 

A Cruz Vermelha ainda mantém compras periódicas de itens emergenciais com preços melhores do que o mercado, poupando tempo que seria perdido com negociações na emergência.

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A Revista Época mostrou bem, na mesma semana, que costureiras se juntaram para oferecer roupas e água para os cadáveres. É conclusão prática, mas pouco lembrada muitas vezes. As famílias ficariam ainda mais emocionalmente arrasadas se encontrassem os corpos dos seus entes queridos vestidos em farrapos, sujos de lama e sangue e com partes do corpo mutiladas pela violência de escombros. Então, as costureiras adaptavam roupas de doação, lavavam os corpos, juntavam e costuravam as partes, cobriam o que estivesse muito feio, em nome da mais rápida recuperação dos demais. Gente arrasada não consegue ajudar como voluntário e toma tempo dos grupos de emergência.

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