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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quem sabe escrever comédia no cinema brasileiro?

É bom ver gente sincera em lançamentos de filmes. A vaidade atrapalha nessas horas, mas existe esperança. O roteirista de "Muita calma nessa hora" foi um caso. Em entrevista à Folha, ele justificou algo muito comum. As piadas são isoladas, com fiapo de história colando dezenas de situações. Ele disse que é assim mesmo. "Não posso negar minhas influências" e relatou que cresceu vendo TV, Zorra Total e A Praça é Nossa. Mas, quem no país não faz o mesmo?

Vejamos o exemplo de "A casa da mãe joana", comédia constrangedora de tão sem graça. Um dia, 70 anos atrás, ela teria sido engraçada. O humor, as situações do enredo, a construção dos personagens tudo remete às chanchadas da Atlântida. Era o que o roteirista/diretor/produtor/protagonista costumava assistir na juventude. O período da construção do nosso senso de humor influencia pelo resto da vida. 

Trapalhões, Roberto Bolaños, levaram o humor circense para a TV e deu certo por metade do século XX. Toda criança cujos pais já não levavam mais ao circo podiam se divertir no cinema com situações que os pais riram na infância. Quando "Os caras-de-pau" surgiu no domingo à tarde, foi diferente. Como as influências dos humoristas já são outras, apesar do humor físico os diálogos são de grande importância para as situações.

Esses são os bons exemplos: gente que escreve sobre o que entende. Triste é ver que quase todo o cinema nacional é adaptação de livros ou séries de TV. Faltam roteiristas no país. Creio que estamos em fase de transição, em que a TV está ensinando o cinema. Beto Brant aprendeu na Publicidade e faz grandes filmes, como Fernando Meireles e tantos outros. Dos videomakers do Marketing vem nosso drama e nosso cinema policial. 

Para rir, ainda é difícil. Assista "De pernas pro ar". Mais da metade das piadas não dependem do roteiro, são como situações isoladas. Você pode sair do cinema uns minutos e voltar. Eu fiz isso para atender telefone e para ir ao banheiro, foram duas saídas. Não perdi nada da história e ri do mesmo jeito. Este é o cinema ideal para um público preconceituoso com cinema nacional e que está se acostumando a ir às salas de exibição. Vê o que já está acostumado pela TV. Em grande parte das vezes com os mesmos atores.

Talvez chegue um dia em que os dois se confundam completamente, cinema e TV do Brasil. Afinal, os lançamentos mais recentes da Globo Filmes serão exibidos nas próximas semanas como minisséries na programação de férias. Então, a linguagem comum é útil aos produtores para alcançar facilmente diversos públicos. 

É produtivo, atrai público, o humor é conhecido, mas quando apreciamos como fenômeno cultural tudo fica tão sem graça...


1 comentários:

Antonio Ugá disse...

A questão do cinema no Brasil é complicada, ótimos (e diferentes) filmes são realizados todos os anos, mas p/ fazer sucesso é necessário ter a Globo como parceira p/ divulgação. Aos outros são reservados apenas os festivais. Filmes de ótima qualidade (ou potencial) são deixados de lado pelo público (eu tbm contribuo com isso).

A sorte é que agora temos internet e podemos conseguir filmes nacionais de ótima qualidade, mas que não chegam ao Cinema em Maceió. Prometo que em breve mando uma lista com filmes nacionais que gostei nos últimos dois anos (vi poucos, mas é sempre bom divulgar). Irei até procurar mais filmes lançados nos últimos anos p/ ver e divulgar. Abraço.

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