Translate

sábado, 11 de dezembro de 2010

Wikileaks e a morte da geração Coca-Cola

Nos anos 1980, Aborto Elétrico cantava Geração Coca-Cola, dizendo que quando nascemos fomos programados pela TV para consumir certas ideias. Em discurso punk juvenil, ameaçava "cospir de volta o lixo em cima de vocês" (não vocês, leitores). Essa geração envelheceu. Mas não envelheceu para, como diria outro compositor brasileiro, Aldir Blanc, ficar "em casa, guardado por Deus, contando o vil metal".
Hoje, Wikileaks é nosso símbolo.

Apesar da prisão do líder, não é um grupo, não é um movimento, é um site de cooperação. Como fora o Napster, como os Torrents diversos têm funcionado, Wikileaks apenas divulga documentos confidenciais que outros enviam. Com multidão de servidores pelo mundo, são mais células do que a Al-Qaeda seria capaz de administrar. Aqueles que cresceram partilhando música e vídeo pela internet não entendem facilmente a ideia de informação sigilosa.

Ao mesmo tempo, essa geração, já consagrada como "Geração Y", convive com diversidade de ideias sem que constituam ideologias. Há menos espaço para debates, menos concentração para reflexão, mas muita pressa e colaboração para difundir ideias. Seja um erro de gravação de um programa de TV ou um telegrama entre embaixadores. 

Como bem lembrava outro dia Marcelo Tas (em palestra que pude assistir pelo Youtube), a internet 2.0 tem ensinado famosos e poderosos a ouvir. Antes, nos tempos da Geração Coca-Cola, apenas falavam. Agora, todos podem produzir o lixo cultural juntos. Caso seja verdade que ideias apenas podem surgir de ambientes propícios, com cooperação contínua, milhões de espaços virtuais têm permitido novas ideias a todo instante, com toda alimentação necessária para que essas ideias se expandam.

Muito ainda se vai debater sobre questões de segurança nacional nesse novo contexto. A nova lei brasileira de direito autoral visa flexibilizar a reprodução de informações de bases de dados que nós mesmos compramos, as cópias de nossos CDs e DVDs, mas o próprio relator admite que é pouco diante da velocidade do intercâmbio de informações de hoje e que para os consumidores pouco importa se a lei permite ou não. Fazem porque é fácil e já é hábito de uma geração conseguir toda informação que puder ter.

Como sempre tem ocorrido nesse caótico começo de século XXI, se nada mais transmite segurança, falar em informação confidencial é hoje mais ingênuo do que um punk rock de 30 anos atrás.

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...