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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Cuidado com os mitos que amamos odiar

Agora que o desprezo ao Facebook tem sido fomentado por algumas pessoas ao sair do cinema, é preciso lembrar que já passamos pelo ódio infantil por MacDonalds, Rede Globo, Tucanos etc. Mas vou partir do mais tolo e anacrônico deles: o mito do imperialismo ianque.

A maioria dos mais de 400 bilionários norte-americanos têm o hábito da filantropia. Doam porções significativas das suas fortunas. Hoje, foi divulgado que 57 bilionários fazem parte de uma campanha, "The Giving Pledge", lançada em junho por Gates e Buffet, por meio da Fundação Bill & Melinda Gates. Esta fundação dedica-se a investir em medicamentos que atingem milhões de pessoas mas que não interessam à indústria farmacêutica por não serem lucrativos. Investe também em centenas de escolas em países em que o analfabetismo é regra. É mais cômodo odiar Bill Gates usando o Ruindows resmungando do que ver como empreendedor social. 

Warren Buffet é menos conhecido no Brasil, mas é símbolo do capitalismo financeiro que também tantos amam odiar. Acontece que a herdeira de 99% de sua fortuna é esta fundação. Hoje, o criador do Facebook aderiu à campanha, em que os bilionários se comprometem a doar, em vida ou como herança após a morte, metade de sua fortuna. Antes que alguém pense que Bill Gates achou mais um jeito de ganhar dinheiro, a campanha não aceita doações em dinheiro. O compromisso precisa ser em obras definidas especificamente, cujo valor corresponda à quantia combinada.

Quisera o Brasil ter esse imperialismo que investe contra a miséria econômica mundial. Temos casos isolados como Eike Batista com 1 milhão ao Teleton, o investimento da Rede Globo na Fundação Roberto Marinho, convicções religiosas isoladas que fazem com que alguém invista para obras da própria crença. Falta uma cultura filantrópica nacional. Falta tanto que o máximo que se fala institucionalmente sobre isso é a promulgação da Lei da Filantropia, para estimular as pessoas a doar. Enquanto isso, nos EUA doam sem preocupação com vantagens tributárias. É hábito. 

Quem então preferir ainda assim brincar de inimigo de mentirinha, com símbolos de consumo como motivo para indignação pseudopolítica, pense nos shopping centers. Nessa época do ano, é possível fazer doações em campanhas em que há botinhas nas árvores de Natal, com nomes e detalhes de crianças, idosos, pessoas com deficiência mental de instituições beneficentes. Deixei ontem meus presentes, cuja doação para as entidades envolveriam um deslocamento talvez cansativo se não fosse diretamente à campanha naquele tempo do consumo que tantos adoram ir lá reclamar de quem "pensa mais em ter do que em ser", entre outros clichês confortáveis.

A propósito, para dicas de presentes vinculados à campanha no shopping, clique aqui.

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