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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Nas bancas: a pobreza espiritual no 2o turno

É desagradável. Bastou se definir um segundo turno nacional que apareceram em redes sociais fotos de José Serra como Coringa do Batman, teorias conspiratórias sobre a Opus Dei querendo controlar o país, Dilma heroína contra a ditadura contra Serra que "fugiu" para fora do país... 

Este é o preço da ausência de propostas concretas, como bem ressaltou a Revista Veja da semana, com capa em branco pelo vazio dos debates. Mais: é o preço de precisar procurar diferenças quando os dois candidatos são tão parecidos. A Revista Época desta semana reforça a semelhança, com detalhado levantamento quantitativo dos avanços dos governos Fernando Henrique e Lula em diferentes aspectos das políticas públicas. 

Resta aos militantes, que não podem perceber o vazio programático nem ideológico nem de personalidade da sua candidata atacar. Qualquer linha online contra ela será "neoliberal", será  "capitalista", estará "vendendo o Brasil" etc. Anacronicamente, elencam como Serra teria se portado na Constituinte (22 anos atrás!), combatem as privatizações (que resultaram na internet de banda larga que usam para combatê-las e nos celulares que todos carregam para difamar adversários), enfim, é uma pobreza espiritual para todos os lados.

Lamento que os petistas esclarecidos (sim, eles existem, apenas estão embaixo da cama escondidos) não se posicionem com ideias claras. Subitamente, o partido decide tirar aborto de seu "programa" para atrair votos de religiosos porque pesquisa indicou que Dilma caiu nesse público. Serra cospe promessas de última hora para atrair aposentados e servidores públicos. Fica difícil escolher.

Somem os quatro últimos mandatos presidenciais. O Brasil não teve grandes avanços na proteção aos direitos humanos, segundo relatórios da Human Rights Watch e da Anistia Internacional. Infelizmente, lulistas diriam que são duas instituições neoliberais a serviço das privatizações. 

Adotei um critério simples: a democracia. Não quero um mesmo grupo político de um partido no poder por 16 anos. A estabilidade econômica está garantida no país, não haverá abalos com quem quer que seja. Então, em nome da sucessão democrática, votarei em José Serra. Com a intervenção abusiva do atual presidente nas eleições e as posturas explícitas do partido contra a liberdade de imprensa, ficou ainda mais fácil decidir em defesa da democracia. Quem discordar, não comente aqui, pois cansei de militantes que só lembram que existe política na hora de demonizar adversários a cada dois anos.

2 comentários:

Rogério Brandão de Faria disse...

Caro Sérgio,
Perfeito seu post. Venho afirmando a algum tempo o nítida identidade entre PT e PSDB. Pra mim, são irmãos gêmeos separados no berço, mas gêmeos.
Tenho sérias restrições a revista Veja, mas concordo que a sua última capa foi a melhor capa, não apenas da Veja, nos últimos anos.
O vazio discursivo que se instarou nas ultimas eleições foi elevada ao potencial nesta eleição. Não se discutiu nada. Não se propôs nada. A única discussão era em se posicionar com amigo ou não de Lula. E os "amigos" lutavam para saber quem era mais "amigo". Um vazio chocante. Um silêncio estarrecedor.
Continuo com minhas dúvidas em quem votar. Nenhum deles me afeta. São pobres de estrutura e condições. Rastejam na mediocridade. Igualam-se na lama.
O conflito em que me encontro é porque não acredito que me abstendo, quer seja votando nulo ou em branco, estarei contribuindo com um discurso de melhorias que faço e acredito.
O importante, creio, é que nesse vazio todo sejamos honestos conosco e com nossa sociedade, como bem frisou Lula Vilar ontem no Twitter.
Fica aqui, mais uma vez, minha admiração pelo posicionamento e clareza de expressão.

Alex disse...

Quer você queira ou não, todos nós estamos envolvidos no que acontece no mundo. Qualquer que seja nosso padrão de vida, todos nós vemos um grande número de pessoas que tem um padrão de vida que ultrapassa qualquer proporção. Como se a pobreza não existisse. Entretanto, o fato de que a maioria dos habitantes deste planeta vivem na pobreza e que milhões estão sofrendo de fome, isto é nossa responsabilidade. Talvez seja necessário prestar atenção às causas reais para este desequilíbrio, a tomar consciência da grande necessidade de tomar ações que possam ser um encorajamento para uma melhor distribuição de riqueza entre as pessoas. "Cada consciência individual pode, por si só, tornar-se um incentivo para outros seguirem o bom exemplo e, desta forma, contribuir para uma visão coletiva, capaz de mudar o mundo inteiro." (Alex Mero)

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