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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O humor venceu, mas e os humoristas?

Foi suspensa pelo STF a resolução do TSE que criava obstáculos para o humor político no Brasil. Apesar dos obstáculos que já vinham dos próprios humoristas e por seu público (para ler o que já foi comentado sobre isso neste blog, clique aqui e aqui e aqui). Seria interessante que os profissionais do humor (exceto os que são candidatos a cargos eleitorais) pensassem sobre o quanto são indefesos.

Para começar, a Ação Declaratória de Inconstitucionalidade foi proposta pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), não por alguma entidade representativa de artistas. Dependeram dos seus empregadores para isso, afetados porque a Lei n. 9.504/97 apenas se referia a mídias de massas. Se esta ação mostra um progresso, afinal os donos das emissoras serem muitas vezes políticos não comprometeu que a associacão impetrasse a ação (para ler a decisão, clique aqui), é um sinal de debilidade da organização como classe dos humoristas.

O máximo que conseguiram fazer foi uma passeata. As imagens em programas de TV e as fotos em jornais mostravam sempre closes e as mesmas caras. É a tática de colunas sociais para fazer parecer que festas foram um sucesso. A propósito, fazer passeata em Copacabana parece mais pretexto para aproveitar a praia do que manifesto. Afinal, o TSE, o STF e a sede da OAB estão em Brasília. Seria muito mais interessante que tivessem feito por lá, mas como eu dizia faz poucos dias ainda há uma barreira curiosa entre repórteres de perguntas ousadas e juízes. Conseguem desafiar os poderes Legislativo e Executivo mas parecem temer o Judiciário para fazer o que chamam de "simples perguntas". 

Há um outro problema, que me parece que apenas Luis Fernando Veríssimo lembrou. Enquanto a lei, que é de 1997, não "pegava", ninguém a contestava. Foram quase quatro anos deixando pra lá algo que reimplantava a censura tantos anos após a ditadura. Esperaram até o TSE fazer uma resolução para aplicar a lei. Se você procurar pelo Google protestos em declarações de humoristas, verá quem descreva como "resquício da ditadura" quando é algo muito posterior mas que ninguém enfrentou. Se há quem se proponha a fazer humor político, precisa acompanhar as leis que são promulgadas e entrevistar quem possa comentar seus possíveis efeitos. Quem fazia humor político em 1997 precisa rever os próprios conceitos.


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