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terça-feira, 24 de agosto de 2010

A minha reforma política

O governo Lula prometeu antes do primeiro mandato que defenderia uma reforma política. O Congresso há três legislaturas que fala no assunto, mas parecem não levar tão a sério. Preferi fazer a minha pauta de reforma, em vez de esperar a dos especialistas. Eles estão muito dedicados a nos fazer rir no horário nobre durante as próximas semanas.

Para começar, penso que Tiririca seja inspirador. Ao se candidatar, disse "vote em Tiririca, pior que está não fica". O pior é que fica, sim, com ou sem o moço. A razão de ter candidatos-deboche em profusão é reunir votos para a legenda eleitoral. Com a coligação tendo mais votos, o majoritário será eleito com menor dificuldade. Não é à toa que faça sentido Eduardo Suplicy ter apoiado que votem na Mulher Pêra (se errei a fruta, vale a intenção). Não é ideologia, mas arrecadar votos. Logo, manter as ideias de voto de legenda e coligação parlamentar não têm colaborado para seriedade.

Uma outra prática que precisa ser revogada, com certeza prioritariamente, é a existência dos suplentes. Grande parte dos parlamentares ELEITOS deixam seus cargos com pouco tempo para novas eleições ou para se tornarem secretários municipais, estaduais ou ministros. Com isso, gente SEM VOTOS E QUE NINGUÉM ELEGEU assume as cadeiras sem compromisso algum com ninguém. Quem diz que votar em branco não faz sentido, pense que os próprios candidatos terminam por branquear nossos votos quando agem assim. Já chegamos a ter 1/3 de suplentes assumindo cadeiras. A propósito, não vote em suplentes que agora estão se candidatando. Eles ocuparam a cadeira sem seu voto, não te respeitam.

Se estamos reclamando dos suplentes, falemos dos vices. São tão inúteis quanto. Ninguém lembra deles, de nada servem a não ser para ter residência oficial, cabide de funcionários próprios, mas se o presidente viajar oficialmente aproveitam as diárias de viagem também e partem junto. Nada de substituir como presidente em exercício. Mostram que um presidente do Senado assumir provisoriamente é mais sensato, já que o único papel dos vices é angariar aliados nas coligações pré-eleitorais. 

É preciso repensar a existência dos nanicos. Por vezes são defendidos com base na defesa pluralista de ideias, mas que ideias defendem? São tão inexpressivos que, com a exceção do PSOL, nem mesmo fazem questão de participar dos debates. Querem apenas tempo de televisão para falar do partido? Talvez tenha sido assim um dia. Querem apenas defender ideias pessoais do candidato que sustenta financeiramente o partido ou usar de palanque para discursos anacrônicos. Nem mesmo se coligam, o que assinalaria que têm algo para defender em comum. Nem mesmo divulgam suas agendas eleitorais diariamente, pois não devem ter tantos compromissos de campanha. A pulverização de candidaturas alimenta apenas o já tão expressivo descrédito dos candidatos nas eleições.

Como diria Marina Silva, que não se compromete com temas polêmicos propondo plebiscitos para tudo, por que não referendos sobre a continuidade do voto obrigatório e do horário eleitoral gratuito? Afinal, se já temos democracia desde 1986, seria um voto de confiança no eleitor, que já conta com a prática de se manifestar em eleições periódicas há um bom tempo. Os candidatos precisariam investir mais em ideias úteis para aqueles para quem se dirigem, já que precisariam convencê-los em dobro: a votar neles e a votar. Além disso, se já contamos com internet, e com acesso crescente à internet, se já é possível driblar o horário eleitoral gratuito por meio de TV a cabo, se há tanta pasteurização dos discursos na TV, para que serve o horário eleitoral gratuito, senão para economizar energia elétrica, com tantos televisores desligados ao mesmo tempo?

Este é o começo das minhas pautas. Se tiverem boa aceitação, quem sabe me candidato. Mas eu mesmo escreveria as minhas piadas, como Plínio de Arruda. 


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