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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Por que votar em candidatos fora da hegemonia

Infelizmente, temos mais experiência em copas do mundo do que em democracia. Basta pensar que em todas as eleições presidenciais pós-ditadura tivemos um mesmo candidato presidencial com destaque, nosso atual presidente, e que exceto por 1989 em todas foi um embate PSDBxPT que prevaleceu. A hegemonia política parece consolidada nessa bipolaridade.

Quando queremos legitimar alternativas ou ressaltar a necessidade de que elas existam, é preciso dar força para grupos com menor força política ou econômica. Infelizmente, nossa imaturidade política ainda faz pensar em bobagens como "voto útil", ou seja, votar em quem tem "chances de ganhar". Não é copa, repito. Vota-se, segundo a tradição política, para expor escolhas pessoais. "Ganhar" é algo maior do que levar a posse.

Ao ser percebido que Marina Silva alcançara 15% das intenções de voto em uma das pesquisas preeleitorais, isso virou notícia, teve repercussão porque mostrava uma quebra da hegemonia. Haveria um bom percentual de eleitores querendo pensar em alternativas fora de, como diria bem Heloisa Helena, uma briga entre irmãos siameses que se amam e se odeiam, PT e PSDB. 

Heloísa Helena saiu vitoriosa das urnas presidenciais, mesmo não se tornando presidenta, pois provou que era possível angariar grande percentual de votos com campanha sem dinheiro, com estrutura de comitês voluntários e sem grande coligação. Ela não venceu, mas o partido cresceu por tantos terem apostado nela.

Se houver programa nacional, projeto para o país, ideias claras, será boa alternativa de voto de protesto, voto contra hegemônico, apostar em candidaturas minoritárias. Não me refiro a apoiar "nanicos" porque não se trata de pessoas moralmente pequenas, mas candidaturas sem expressão econômica.

Nesta eleição, em que pela primeira vez Lula não é candidato (apesar de Dilma parecer dizer o contrário de vez em quando), há um desafio claro à bipolaridade com a candidatura de Marina Silva. Contudo, é ex-ministra de Lula e não se contrapõe a seu projeto político. 

Opção com essas características fica, então, para Plínio de Arruda Sampaio.

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