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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Uma causa para o movimento LGBTT

No último fim de semana, ocorreu a mais recente Parada do Orgulho Gay de Maceió. O tema me fez lembrar das campanhas em que movimentos pela diversidade sexual costumam estar presentes, mas com uma ponta de desconforto com a lembrança.

Acontece que é constante que movimentos LGBTT (pois é, para quem esteve longe dos movimentos a sigla passou de GLS para GLBT, para GLBTT e hoje parece que ainda é LGBTT, não sei se mudou mais uma vez) estejam em campanhas contra a AIDS. Campanhas contra a AIDS são fundamentais. A desinformação da população é absurda, o costume de usar camisinha ainda não é tão comum quanto deveria, mas é preciso lembrar as origens da questão aqui.

Afinal, AIDS não é doença gay, é doença sexualmente transmissível. Esta distinção gerou debates perante um participante de um reality show que disse que apenas homossexuais pegariam a doença. Contudo, movimentos pela diversidade sexual estão sempre na dianteira das campanhas. Deveriam estar homens casados, entre 30 e 45 anos de idade, de classe média, que são aqueles que transmitem a doença para suas esposas. Infelizmente, o modo como são feitas declarações assim leva a crer que apenas adquirem a doença se forem clientes de travestis, michês, garotos de programa... na verdade, basta sexo sem proteção.

Parece que estou falando obviedades? Eu gostaria que assim fosse. Porém, milhares de pessoas acompanham em êxtase programas de TV em que um pastor de uma igreja  (não, não vou fazer essa propaganda gratis dele) diz que cura AIDS com oração (e um couvert artístico para a  igreja dele...), o sujeito do reality show disse o que disse, quase ninguém usa camisinha em filmes (que não sejam pornô), de vez em quando uma pesquisa em fase inicial é saudada por jornalistas sensacionalistas como "provável nova cura para a AIDS" e, no fim das contas, todos esses são formadores de opinião. Menos as campanhas.

A AIDS deveria estar longe de ser a principal bandeira LG... gay, que a sigla é longa. Há poucas semanas a Revista Veja divulgou como adolescentes de classe média lidam bem com sua homossexualidade, bem como seus parentes e amigos, cada vez mais, porém sem precisar de movimentos sociais como mediadores. Estes estiveram mais preocupados com a última piada politicamente incorreta na TV, em vez de orientar como paquerar, onde ir sem ser vítima de preconceitos, como falar com os pais, o que rejuvenesceria os movimentos e faria ter acesso ao momento inicial da questão: a descoberta.

Infelizmente, se ninguém mais fala que a AIDS ainda é uma epidemia, ainda bem que eles ainda sustentam a bandeira. Que persistam.


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