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terça-feira, 15 de junho de 2010

Lula desafia a coerência dos petistas.

Na última semana, Sandra Starling deixou o PT. Como cofundadora mineira do partido, publicou artigo no jornal O Tempo, reproduzido em vários órgãos de imprensa no dia seguinte, em que desabafou as razões do seu desligamento. Segue um fragmento:


Ao tempo em que lutávamos para fundar o PT e apoiar o sindicalismo ainda "autêntico" pelo Brasil afora, aprendi a expressão, que intitula este artigo. Era repetida a boca pequena pela peãozada, nas portas de fábricas ou em reuniões, quase clandestinas, para designar a opressão que pesava sobre eles dentro das empresas.

Tantos anos mais tarde e vejo a mesma frase estampada em um blog jornalístico como conselho aos petistas diante da decisão tomada pela Direção Nacional, sob o patrocínio de Lula e sua candidata, para impor uma chapa comum PMDB/PT nas eleições deste ano em Minas Gerais.

É com o coração partido e lágrimas nos olhos que repudio essa frase e ouso afirmar que, talvez, eu não tenha mesmo juízo, mas não me curvarei à imposição de quem quer que seja dentro daquele que foi meu partido desde sempre. Ajudei a fundá-lo, com muito sacrifício pessoal; tive a honra de ser a sua primeira candidata ao governo de Minas Gerais em 1982. Lá se vão 28 anos! Tudo era alegria, coragem, audácia para aquele amontoado de gente de todo jeito: pobres, remediados, intelectuais, trabalhadores rurais, operários, desempregados, professores, estudantes. Íamos de casa em casa tentando convencer as pessoas a se filiarem a um partido que nascia sem dono, "de baixo para cima", dando "vez e voz" aos trabalhadores. Nossa crença abrigava a coragem de ser inocente e proclamar nossa pureza diante da política tradicional. Vendíamos estrelinhas de plástico para não receber doações empresariais. Pedíamos que todos contribuíssem espontaneamente para um partido que nascia para não devermos nada aos tubarões. 
(Para ler o artigo na íntegra, clique aqui)

No dia seguinte, o PT do Maranhão se aliou aos Sarneys, cujo José Ribamar foi defendido faz mais de um ano por Lula que disse não poder ser julgado como um "homem comum". A direção nacional e a estadual se estranharam mas a decisão foi tomada.

 Em Alagoas, o PT se aliou nas eleições de 2010 a outros adversários históricos do partido, sem uma ampla discussão interna sobre os motivos mas, como em Minas e no Maranhão, acatando decisão de Lula. Votarei em quem do partido seguir o exemplo de Sandra Starling e também deixá-lo depois das últimas decisões. Ainda espero a saída depois dessas eleições, sem problemas, daqueles que admiro no partido, mas sem meu voto no próximo semestre.

Tudo em nome da continuidade da precária e ambígua aliança do PT com o PMDB. Enquanto uma CPI discutia se existiu o Mensalão, muitos deixaram o partido. Situações assim geraram dois partidos num passado recente, ambos derivados do PT: PSOL e PSTU. Até hoje fileiras de ambos dedicam-se mais a criticar o PT do que a defender bandeiras próprias, como se aguardassem um pedido de desculpas pela traição a ideias passadas, como se elas tivessem feito sentido enquanto faziam parte da estrela vermelha. Mesmo assim, procuram coerência interna, o que já abandonou a coletividade de petistas. Como homens públicos, faz pouca diferença se individualmente guardam coerência se ainda abraçam uma legenda que muda de identidade por cargos públicos.

Ainda há quem acredite dentro do partido que Lula esteja acima do bem e do mal e que sabe o que venha a ser melhor para cada filiado. Estes não são militantes nem políticos, mas devotos de uma seita herética, cujos fundamentos se alteram diante das circunstâncias. Nestes casos, não venderam a alma; sublocam periodicamente por meio do caudilho-presidente como corretor.

Atualizado em 16 de maio:




1 comentários:

Consultora Educacional disse...

Gosto muito dos artigos de seu Blog. Quando for possível dá uma passadinha para ver meu Curso de Informática online. Emily Nascimento

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