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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Nas bancas, Cult, Veja e Sociologia

A Revista Veja desta semana está dedicada a desconstruir demagogias. Enfrenta a demagogia eleitoreira no período pré-eleitoral atual, de discursos chorosos de aliados loucos por cargos públicos. Todo cuidado é pouco com tudo que se ouve até as eleições. Fala também do mito da democracia indígena boliviana. Assim como no mito bolivariano venezuelano, parece que tudo que for indígena no discurso ganha automática legitimidade por lá, o que é no mínimo perigoso. O construtivismo também é abordado, uma vez que tem substituído em muitas escolas o papel do professor na sala de aula por plena autonomia ao garoto que mal sabe ler para que aprenda como quiser. Boas técnicas pedagógicas perdem-se quando se tornam dogmáticas e são corrompidas pela má vontade de quem a emprega em fins próprios. Na matéria de capa, como preconceitos homoafetivos têm se desfeito com a iniciativa de jovens em falar abertamente de sua sexualidade, seja qual for a orientação. Há, à direita do blog, duas entrevistas minhas em que tive oportunidade de tocar no assunto. Por fim, ótima entrevista com Mara Gabrilli nas páginas amarelas.

A Revista Sociologia Ciência & Vida (que está com ótimo novo layout), analisa como a corrupção é bem vista pelos brasileiros, que se relacionam com práticas corrompidas na esfera privada de tal modo que não conseguem ser duros com práticas públicas. Em outra reportagem, o papel de técnicas da Sociologia na busca por justiça entre profissionais de Direito. A insuficência da dogmática jurídica para melhorar a sociedade tem feito com que, no cotidiano do seu trabalho, busquem outras perspectivas.

A Revista Cult, do mês passado mas que apena agora posso ler, aborda o cinismo de nosso cotidiano e os dilemas que a ética precisa enfrentar. Como a apatia coletiva tem sido endêmica em nossas rotinas e como princípios éticos podem ser úteis para enfrentá-la. Pior do que não fazer nada diante de injustiças é não se importar por pensar que nada merece ser feito. É um passo antes da anomia completa, em que não nos reconhecemos como responsáveis uns pelos outros num mesmo espaço.

2 comentários:

Helô Bueno disse...

Sugiro que antes de ler a reportagem que intenciona "desconstruir o construtivismo" (apresentando dados e ações equivocadas sobre o método que -só para lembrar- abole o uso de apostilas), observe a propaganda das apostilas lançadas pela Abril, exatamente nas páginas que a antecedem. Esse tipo de marketing não seria mais uma demagogia?

Sérgio Coutinho disse...

Concordo que seja mais uma forma de demagogia. Não concordo com toda a reportagem da Veja que, como a revista costuma fazer, generaliza práticas equivocadas como se fossem a regra e o construtivismo precisasse ser rejeitado por inteiro. Mas abrir a reflexão sobre excessos é relevante. Abraço.

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