Translate

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Nas bancas: nova vida, velhos e novos problemas e contínuas omissões

Na última semana, Craig Venter voltou a ser notícia. Ao replicar uma célular com DNA sintético, conseguiu ter o controle sobre a produção de vida. Alguns aspectos chamaram especialmente a minha atenção. Um deles é o aspecto poético. A aproximação entre ciência e arte é algo almejado continuamente por cientistas, preocupados com a apresentação mais bela possível dos seus experimentos. O formato de equipamentos atende a regras de design. Há, no caso tão comentado, um aspecto muito interessante. Foram incluídas três frases no código genético da célula:

"Viver, errar, cair, triunfar, recriar a vida a partir da vida", de James Joyce;
"Ver as coisas não como elas são, mas como poderiam ser", de Felix Adler; e
"O que eu não posso construir, não consigo compreender", de Richard Feynman.

Acredito que seja a primeira amostra de uma nova fronteira para as tatuagens. Afinal, não faz muito tempo um artista plástico convenceu um laboratório a mudar geneticamente um coelho para que ele brilhasse no escuro. Não afetou a vida do coelho, mas gerou uma relevante reflexão sobre a manipulação genética por razões estéticas. É uma nova fronteira para a bioética. Penso que faltem paradigmas para organizar o debate.

Basta ver que Venter criou o instituto com seu nome com o objetivo de estudar a biologia sintética, que ainda nem mesmo existia. Quem se oporia a uma instituição sem fins lucrativos aparentemente utópica? Quais são os limites entre a utopia e nossa ignorância sobre o que pode ser alcançado no cotidiano mas não conseguimos ver?

Infelizmente, na mesma revista onde li sobre isso após tão interessante reportagem no Fantástico, foi decepcionante (mais uma vez) ler entrevista da candidata Marina Silva. Ela não se compromete, não assume posição, joga os temas polêmicos para plebiscitos (!) em vez de dar opinião, relativiza o que afirmara em outras ocasiões, enfim, tenta ser terceira via na eleição mas não diz nem em que diverge nem em que concorda com os dois oponentes.

Duas pesquisas chamam atenção. A Revista Época apurou que 1 em cada 7 brasileiras entre 18 e  39 anos de idade já fez um aborto. Além disso, não há predominância de classe, nem de religião, nem da falta dela, nem de divergências com a família. É algo extremamente democrático. Assim, a pesquisa permite desmontar mitos e avançar nos debates sobre políticas públicas de planejamento familiar. Discutir contra ou a favor do aborto é pobre, útil apenas para debates escolares em que se quer treinar a retórica entre estudantes. Mulheres abortam e já abortaram e mesmo estas podem ser contra a prática, mas o fazem por circunstâncias diversas. O Estado precisa saber o que fazer e trazer alternativas para quem, a despeito de convicções, pode ir a uma clínica clandestina ou ingerir medicamentos abortivos sem acompanhamento médico.

A segunda pesquisa comprova que a nossa carga tributária atrasa nossos investimentos e o potencial de consumo do brasileiro. A nova classe média, mais de 40 milhões, enfrenta agora o que quem já se encontrava na classe já se defrontava. Nossos produtos são mais caros do que a média dos equivalentes em outros países. Nenhum dos nossos candidatos tem uma proposta clara de reforma tributária pois não querem se indispor com ninguém como "pré-candidatos" com discursos tímidos pelo marketing eleitoral cauteloso em excesso.


0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...