Translate

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pensando brevemente sobre filas e passeatas

Os cartazes da praça de Maio na Argentina e das mulheres de branco de Cuba têm algo em comum. Lembram de algum modo as passeatas de protesto por desaparecidos no Chile. Se aproximam daqueles que marcham por vítimas de violência em qualquer cidade brasileira. Podem se confundir com as manifestações contra minas terrestres na Colômbia. Assemelham-se àquelas que vão de véu nas escolas francesas sabendo que serão expulsas. Lembram aquelas que fazem um lençol com suas burcas escuras nas ruas do Irã por liberdade de expressão ou contra as últimas eleições. São constantemente mulheres. Não desistem de ficar em pé diante do inimigo. 

Muitas outras têm exercitado essa habilidade por horas a fio diante de estádios para comprar ingressos para shows de seus ídolos do momento. Que no passar do tempo possam se espelhar em algo mais do que telões com músicas.

Na última sexta-feira, santa segundo a Páscoa cristã, consumidores americanos fizeram fila para adquirir um Ipad, que seria vendido a partir do sábado. Não é completo desperdício de esforço. Gandhi estimulara hindus a se enfileirar diante de tropas para revidar com a paz àqueles que os impedissem de extrair sal do mar.

O problema talvez não esteja no objetivo de estar na fila, mas em não aproveitar melhor a capacidade de resistência, a própria força de vontade, em algo mais duradouro.


4 comentários:

decaraparaodireito disse...

Poucas vezes li um texto de tamanha sensibilidade envolvendo um assunto tao profundo. Parabens.

Sérgio Coutinho disse...

Obrigado!

Fabrício Santiago disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fabrício Santiago disse...

Obrigado, sérgio, bom deixa eu ler seu blog..depois falamos.
abs

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...