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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eleições canhotas

Uma candidata esteve na luta armada contra a ditadura, que foi enfrentada por outro por meio do movimento estudantil, por uma outra candidata por meio das lutas dos seringueiros e um quarto candidato em defesa da imprensa livre. Dilma, Serra, Marina e Plínio de Arruda Sampaio, respectivamente.

Em uníssono, falam do bolsa-família como programa de distribuição de renda que precisa de ajustes e ampliações para dar conta de cada vez mais famílias mas que não basta para enfrentar as desigualdades socioeconômicas do país.

É, também, consensual que todos estejam desligados da atuação direta em movimentos sociais mas todos já tiveram vínculos com algum.

 Todos defendem cotas na educação e políticas diversas de ação afirmativa.

Todos defendem a imprensa livre de qualquer intervenção estatal.

Faz sentido então afirmar que alguém não seja de esquerda?

Tucanos seriam de direita por defender privatizações? Então petistas também seriam, já que Lula não as enfrentou, mas aparelhou partidariamente agências reguladoras, parte do escândalo do Apagão Aéreo (lembram dele?).

É de esquerda o comportamento de enfrentar corporações em nome de direitos fundamentais?  Os tucanos de direita criaram os genéricos e quebraram a patente dos medicamentos contra o vírus HIV, enfrentando o "imperialismo ianque" inimigo histórico das alas da esquerda mais apegadas a clichês.

No quesito liberdade de expressão, Lula expulsou um jornalista estrangeiro do país porque não gostou de uma reportagem e em todas as entrevistas critica a atuação da imprensa. É sarcástico sobre pagar multas por propaganda antecipada e já reclamou em público por ser multado pelo Judicíário. É de esquerda só porque fala em igualdade? Mas qual sentido de igualdade? Não seria a igualdade um elemento do tripé liberal da Revolução Francesa? Liberalismo não é normalmente associado à direita? A categoria era também alicerce das ideias da Revolução Russa, que se supõe iniciativa de esquerda.

Quem hoje entre nossos candidatos se posiciona contrário à intervenção do Estado na economia para poder ser denominado de direita?

Espero muito tédio nessas eleições canhotas, de discursos afinados entre supostos adversários igualmente defensores da continuidade das políticas econômicas e assistencialistas dos últimos 20 anos. Que o tédio ideológico seja um sinal da perpetuação da estabilidade democrática.

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