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quarta-feira, 10 de março de 2010

Entre ideias e militância: o caso de Hebe de Bonafini

O amigo Pablo leu de Buenos Aires algumas informações daqui sobre as Madres y Abuelas de Plaza de Mayo. Tivemos diálogo interessante por emails e espero que ele não se importe por eu reproduzir aqui algumas das questões.

Têm sido muito polêmicas as posições políticas de Hebe de Bonafini, líder das Madres de Plaza de Mayo. Ele teve a gentileza de enviar uma reportagem em que isso fica evidente:

Mama Hebe: “La oposición es una mierda”

vía PROSUR. CIUDAD de osal63 el 2/03/10


Ubicada en la primera bandeja de la Cámara de Diputados, la presencia de Hebe de Bonafini, titular de las Madres de Plaza de Mayo, no pasó desapercibida en la 128º apertura de sesiones ordinarias del Congreso de la Nación.
Hebe, una de las figuras más polémicas de la política argentina y fiel aliada al kirchnerismo, siguió todo el discurso CFK con mucha atención. Lo hizo acompañada por Eduardo Luis Duhalde, secretario de Derechos Humanos de la Nación, y Estela de Carlotto, presidenta de las Abuelas de Plaza de Mayo, en un palco ubicado justo en frente de Cristina.
Al término de la apertura de sesiones, declaro que ” Criastina una maravilla, brillantes, cómo es ella”, opinó Bonafini al salir del Congreso.
“Ella es brillante para todo, para esto también, uno no esperaba otra cosa”, completó la titular de Madres, quien al ser consultada sobre la actitud de la oposición en torno al discurso de Cristina apeló a una frase polémica como siempre: “No es una oposición, es una mierda”, lanzó antes de despedirse.

De fato, acredito que parte do problema venha de expectativas pouco realistas sobre algumas lideranças políticas. Quando encontramos alguém que monopoliza muitas vontades ao seu redor em nome de uma causa nobre, queremos logo ouvir o que têm a dizer. 

Contudo, muitos podem não ter alguma mensagem fantástica, podem perder para demagogos na oratória, para advogados na capacidade de autodefesa, para políticos candidatos na capacidade de gerar esperança. Conseguem tão somente dar prosseguimento para aquilo que já fazem. 

Situações constrangedoras são fáceis de ocorrer na escolha de aliados sem observar afinidades ideológicas mas apenas pessoais. É preciso que essas pessoas saibam a distinção entre ser pessoa privada e pessoa pública, entre ter opiniões particulares e entre falar em nome de uma coletividade qualquer. A representatividade já é controversa entre aqueles que são eleitos, o que imaginar entre líderes que surgem das massas.

Como bem alertava Gramsci, é o papel do intelectual orgânico (ou coletivo, dependendo da tradução) diante de grupos políticos. É preciso ter, além da liderança, alguém que organize as ideias, previna incoerências, alerte sobre a escolha de palavras ou mesmo tome a dianteira para se expressar publicamente em nome do movimento. Um bom exemplo disso penso ter sido Pierre Bourdieu. Não tomou a dianteira dos movimentos anticapitalistas dos anos 1990 mas falava em público em nome deles, funcionando como articulador dos movimentos. Foucault, diante de maio de 1968, poderia ser visto em papel análogo.

É preciso hoje tomar muito cuidado em demandas coletivas com estratégias e organização de ideias. A imagem, em instantes, está divulgada em todo o mundo, em que cada palavra pode ser acompanhada por milhões e por mais que se arrependa ficará a bobagem arquivada online para sempre. Encontrarão pelo Google o ato falho sem a errata ou o pedido de desculpas. 


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