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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Carnaval é política

Não se trata de um simplório clichê de que há política em tudo, mas do modo como o poder se faz presente em eventos de massa. Vou jogar uns exemplos para levantar confetes sobre o assunto.

Em Salvador, é tradicional o desfile do bloco Mudança do Garcia, que reúne associações de classe e movimentos sociais com reivindicações às autoridades. Como seu desfile é em frente ao camarote de políticos, neste ano, como publicou a Folha, esvaziou o camarote para que não recebessem vaias.

Lá também, um vocalista de um trio se recusou a cantar uma música por considerar que há apologia à pedofilia na letra. Tendo ou não, prevaleceu seu apoio ao MP baiano no combate à exploração de crianças. Falou mais alto do que a ânsia de quem seguia o trio de ouvir os últimos sucessos. 

Onde há o carnaval do Estado, patrocinado por prefeituras e governadores (afinal, onde será que não há isso...) a escolha dos pontos de concentração, as campanhas que serão divulgadas, as medidas que serão tomadas como prevenção a problemas, são questões políticas prioritárias. 

Um exemplo da reflexão possível sobre políticas públicas a partir do carnaval. Enquanto o Galo da Madrugada teve menos de 50 incidentes violentos de um total de quase 2 milhões de pessoas, o Rio se preocupava com centenas de pessoas urinando na rua. Será que a polícia carioca não tinha mais o que fazer do que servir de bedel de jardim de infância? Seria melhor pensar preventivamente no planejamento da distribuição dos banheiros químicos. Em outros tempos, isso renderia boas marchinhas de carnaval.

Por falar no Rio de Janeiro, o discurso defendido por escolas que falem de estados ou cidades brasileiras com patrocínio público é como seu governante quer que sua gestão seja vista. Logo, é relevante acompanhar (por mais chatos que sejam os desfiles...) como discurso ideológico.

Coisas de fim de festa, parar para falar sério sobre diversão alheia.

Imagens do Google Imagens


 

1 comentários:

Carlos Pires disse...

Em Portugal há muita promiscuidade entre política e futebol.

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