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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Um dia estúpido no Haiti e no Brasil

Recebi a notícia do Haiti pelo diretor do doutorado, que entrou na sala de aula angustiado com o que acontecera. Disse uma frase marcante: "É a era da estupidez". Ele se referia a algo doloroso: Sabe-se que certos desastres naturais podem ocorrer, é conhecida a tecnologia para prevenir incidentes e apenas se espera, como uma doença que não incomoda porque matará lentamente ao longo de anos. Assim é com qualquer catástrofe natural hoje. Preferimos expor ao risco milhares de pessoas.

Contudo, a estupidez é ainda maior. O Brasil fica mais estúpido com a morte de Zilda Arns. A Pastoral da Criança e todas as entidades semelhantes que foram nela inspiradas continuarão funcionando e sendo exemplo de dignidade. Zilda nunca aceitou cargos governamentais, benefícios políticos, favores cedendo nome da ONG em nome de lucro e, assim, reduziu a taxa de mortalidade infantil no Brasil com programas nutricionais, assistenciais e educacionais que são referência mundial. Quem conferir no livro entitulado "50 homens que mudam o mundo", verá Zilda Arns. Quem ler "Como mudar o mundo" (ambos com capas no blog, seguindo a coluna da direita abaixo), verá Zilda Arns.

Eterna candidata (pelo menos minha) ao Nobel da Paz, nunca se importou com prêmios. Dois presidentes usaram os números resultantes do trabalho da sua Pastoral para dizer que reduziram a mortalidade infantil. Morreu a serviço do país, como sempre viveu. É realmente um dia de extrema estupidez.

Mas não foi a única heroína brasileira falecida. Ser brasileiro muitas vezes é sinônimo de ser herói, mas algumas centenas de militares levaram isso a sério. Há meses, a Revista Época mostrou em belíssima reportagem como a força de paz brasileira no Haiti estava contribuindo com um padrão civilizador. Mais do que circular armados, orientavam famílias, conversavam com líderes comunitários, convenceram a deixar as mulheres receber comida para a família. Eram preferidos na ONU para operações mais delicadas em 2010, quando boa parte deles seriam deslocados para o continente africano. Meus heróis não morreram de overdose, não sei se meus inimigos estão no poder, mas tem dias que parecem conspirar contra os justos.

Que dias melhores venham e pêsames a todos nós.

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