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sábado, 5 de dezembro de 2009

"Otimismo da vontade": aprecie com moderação

É lamentável ver manifestações com energia, bom número de participantes e metas louváveis não saberem bem qual seria o melhor caminho para atingir seus objetivos.

Foi o que se pôde constatar na época em que esteve na moda invadir reitorias de universidades. Uma reitora fez uma pergunta de grande sabedoria: como ela poderia atender às reivindicações se o gabinete dela, onde ela despacharia, estava ocupado? Como atender na USP na época dos eventos se os móveis foram desmontados?

Problema parecido ocorreu recentemente. É difícil que alguém no Brasil que saiba quem é o presidente do Irã tenha gostado da notícia da visita dele ao país. Muitos exibiam cartazes exigindo a saída dele durante a visita. Os cartazes estavam em português. Ele fala árabe! Leva a crer que os movimentos que brandiam os cartazes queriam espaço na mídia para o povo brasileiro ler seus protestos, não o próprio presidente. Num país em que não há democracia, ele não teria qualquer motivação para pedir a algum intérprete que traduzisse os cartazes. Precisavam estar em árabe. Google traduz.

Mais recentemente ainda, na última semana, mais uma manifestação que precisava de estratégia ou, como diria bem Lenine, da teoria que antecede qualquer revolução. Estão até hoje acampados manifestantes que exigem da Assembleia do Distrito Federal o impeachment do governador. OK, a Assembleia tem a atribuição de votar isso, mas não é possível fazer nada com o plenário da Assembleia ocupado. A ocupação exige algo que ela barra que aconteça.

Tudo se resume a agir movido pela emoção. Como bem diria Gramsci, abusam do otimismo da vontade sem a devida atenção ao pessimismo do intelecto. Não se previnem para que o máximo resultado seja alcançado.

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