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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Nossa primeira década

Vivi os anos 1990. Tempo de descoberta da democracia e da minha entrada na faculdade, tempo de aprendizado do que é um computador e do meu treinamento com máquina de escrever, tempo de telefones sem fio que não são mais fixos passarem a ser chamados de celular. 

Nesse fim da primeira década de um novo século, muita coisa mudou. A democracia já é um hábito tranquilo, apesar de ainda estarmos aprendendo. Já não faz mais qualquer sentido pensar em voltar ao que era o país. O mundo olha para o Brasil e quer aprender com ele. Líderes mundiais discutem meio ambiente com seriedade (sem conclusões, mas debatem tentando encontrá-las) e já se anuncia que o meio ambiente será uma das pautas principais das nossas próximas eleições.

Noções de espaço se tornaram difusas com celulares e com o acesso à informação ficando imaterial. Em menos de uma década a frase "vou ligar o computador para conectar na internet e..." desapareceu. Agora se pode estar online em qualquer lugar a qualquer hora, mas desde que você seja da classe média.

Por falar na classe média, a classe C tornou-se classe média. Nunca antes na história desse país (já ouvi isso antes...) se pôde consumir tanto. A geração de empregos no fim do ano, pela primeira vez em muitos anos, não corresponde simplesmente a trabalho temporário, mas expansão de comércio e serviços.

Já temos aproximadamente 20 anos de um projeto político-econômico em curso no país, o que é franca exceção na América Latina. Isso permitiu estabilidade econômica e planos para o futuro programados com serenidade. Ao mesmo tempo, os candidatos a presidente ficaram muito parecidos, como gêmeos siameses que insistem em dizer que têm vidas autônomas.

Quando pensamos no século XX, nunca se fala em algo antes dos anos 1920. Não é à toa que Eric Hobsbawm em Era dos Extremos fala no "breve século", que terminara nos anos 1980 com a queda do muro de Berlim (segundo ele). Vivemos os anos 00 e eles tiveram significado.

Na minha vida? Tanta coisa aconteceu que relatar seria superficial e relembrar deixaria tonto.

Nos anos 10, falaremos muito sobre como proteger o planeta da degradação ambiental, como tecnologias aproximam as pessoas e agilizam intercâmbio de ideias, sobre eventos esportivos mundiais que ocorrerão na África do Sul e no Brasil, riremos das bobagens sobre 2012, e com certeza será década ainda mais rápida e muito mais intensa. Não será problema. Aprendemos a processar volumes nunca imaginados de informações para produzir conhecimento. A era da informação começou nervosa e vai se encontrando seu lugar à base das novas epidemias  fundadas em stress e depressão.

Raul Seixas dizia numa canção "parem o mundo que eu quero descer". Tenho certeza de que hoje ele preferiria apertar o cinto e apreciar a vista durante a viagem.

Foi bom para você?

(Em tempo, a década termina em 2010. A reflexão é precoce para começar a pensar no assunto.)

4 comentários:

Luma Rosa disse...

Eu acho que essa frase "vou ligar o computador para conectar na internet e..." ainda é ouvida fora dos grandes centros. O Brasil continua sendo arcaico em muitos setores e desandou nos últimos tempos em sua estrutura básica, principalmente no oferecimento daquilo que a nossa constituição reza como direitos fundamentais. O Brasil para ser bem visto, deveria começar a cuidar das redes de esgoto, por exemplo. Por que enquanto os países ricos pensam em dessalinizar a água, o Brasil não tem dinheiro para construir hidroelétricas.
Posso dizer se foi bom pra mim somente no final de 2012? (rs*)
Beijus,

Sérgio Coutinho disse...

Bem pensado, tanto sobre saneamento básico quanto com a cautela sobre 21/12/2012. Pena que nossas redes de saneamento básico ainda sejam menos do que básicas. Fiquem entre primitivas e inexistentes. Pior ainda é o descaso não do Estado, mas da população que lembra normalmente desse caos nas enchentes mas logo esquece. Espero que possamos amadurecer sobre o que fazer com nossos dejetos. Abraço!

Andréa disse...

(...) "processar volumes nunca imaginados de informações para produzir conhecimento"
ESPERO !!!
... Muito bom seu texto Sergio! Gostei.
Virei aqui mais vezes.
Um beijo.

Sérgio Coutinho disse...

Obrigado, Princesa. Te espero por aqui. Beijo.

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