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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ressaca da IV Bienal de Alagoas

A IV Bienal do Livro de Alagoas foi um enorme sucesso. Afinal, por dez dias Maceió teve uma grande livraria. Para mestrandos e doutorandos foi insuficiente, com certeza. Mais do que o óbvio fato de que queremos sempre mais, queremos estandes de editoras. Sem muitos deles, o que viesse deixaria uma sensação de vazio (vazio no saldo em conta após tantas compras...). Mas vamos avaliar o dia seguinte ao fim.

Para que raios serve um livro gigante na entrada da bienal, se não pode ser lido nem manuseado? No estado campeão em analfabetismo, faz sentido expor um livro como objeto sagrado, distante, inacessível. Pensando bem, é útil ter o livro do Guiness. Alguns diriam que é pelo ano da França, o Pequeno Príncipe, campeão de vendas. Mesmo asim, se as crianças não contavam com alguém ao lado contando as histórias do princepezinho ou, pelo menos, um aviso de onde ele seria vendido, estava como objeto de culto e fotos, muitas fotos, incluindo a minha que está aí do lado.

Por falar em contar histórias, foi um prazer conhecer a Trupe Gogó da Ema, organizada no Sesc Centro, em Maceió. Foi catalizadora para uma série de eventos muito importantes no ofício (aprendi nas palestras e oficinas que não é arte, mas ofício!) de contação de histórias. Contadas com fantoches, livros, música, dança, por adolescentes com deficiência intelectual, pude constatar quantas técnicas existem para repassar cada história do jeito que agradar ao contador e ao público

A programação cultural da bienal enchia os olhos. Jessier Quirino, Roberto de Freitas, Ignácio de Loyola Brandão, (com direito ao meu agradecimento com quinze anos de atraso a ele por ter escrito Não verás país nenhum e autógrafo postit para anexar ao livro) e não parava mais. Mas foram os grupos de contadores de histórias dispersos pela bienal, tirando a carona de feira de livros, que mais chamaram a atenção. A foto ao lado mostra algo surpreendente. A presidenta do Tribunal de Justiça de Alagoas sentada ao lado da contadora de histórias no estande da Escola da Magistratura enquanto história era contada para grupo de crianças. Essa senhora sozinha (que esqueci de anotar o nome) era um pocket show à parte.

A tradição oral dos contadores foi especialmente respeitada, com espaço para repentistas, fantoches, cantadores, contadores e segue em frente. O último dia, com tarde inteira de contação de histórias muitas delas improvisadas mostrava bem quanta gente tem se dedicado à técnica pelo Brasil. Afinal, juntaram-se contadores de diversos estados.

Amigos lançando livros permitiram reencontrar dezenas de amigos em dois dias. Parecia aqueles momentos em fim de Ensino Médio em que tem que juntar todos que conhece para escrever na farda, tamanho o número de amigos chegados. Se fizesse uma festa de aniversário, não teria a mesma sorte que na sexta e no sábado passados. Na sexta, pelo lançamento do livro em homenagem ao prof. Marcos Mello, organizado pelo amigo Marcos Ehrhardt, com as presenças de George e Thiago à mesa. Era uma confraternização mais do que um lançamento. No sábado, contando entre muitos com a homenagem feita aos amigos Amaro e Cícero pela CUT, CPT e MST. Outros foram celebrados, mas ressalto os amigos elogiados em público por movimentos sociais no dia dos seus lançamentos. Lamentando sempre todos que perdi, como de Luciana Impossível e todos que lançaram na quinta à noite.

A propósito, filmei o lançamento do livro de Elaine e Ruth. Ficam aí os vídeos que tanta emoção junta só seria possível escrever se eu ainda escrevesse poesia. Quem sabe um dia me desaposento disso.

Ver amigos lançando livros infantis era uma festa à parte. Não apenas pelo estímulo para que um dia tenhamos uma geração de leitores em Alagoas (sonhar custa nada, gente) mas por ser por meio de projetos coletivos, produção independente bem articulada.

Mais ainda, conviver à distância com Isolda e de perto com Wanessa mostrou para mim um jornalismo dinâmico que dá gosto de dizer que é feito por gente com quem posso conviver.

Se esqueci de comentar mais alguma coisa, pra isso tem aqui lugar para comentários, para cada um que passar por perto completar com as próprias impressões essa rápida descrição de uma semana de viagem sem sair da cidade . Quem quiser que conte outra que eu já não sei contar melhor. Entrou pela perna de pato, saiu pela perna de pinto, quem quiser que conte cinco.


2 comentários:

Wanessa disse...

valeu, Sérgio :) adorei o post! e foi muito bom ver vc também ^^ e que venham-nos as próximas!! :D

Rita Mendonça Estrela disse...

Perfeito. Disse tudo.
A Bienal foi isso. E ponto!

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