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sábado, 21 de novembro de 2009

Brasileiro não lê

Da Folha de São Paulo:


Estudo mostra que apenas 7,5% dos brasileiros compram livros

da Efe, no Rio de Janeiro

Apenas 7,47% da população brasileira compra livros não didáticos e destinam à literatura o equivalente a 0,05% da renda familiar, segundo um estudo divulgado hoje por editores reunidos no Instituto Pró-Livro.

O pouco orçamento destinado à leitura se reflete em que 60% dos brasileiros nunca abrem um livro e, quem tem o costume, lê 1,3 obra literária ao ano, segundo o estudo, baseado em dados oficiais.

A taxa de leitura no país aumenta para 4,7 exemplares por ano incluindo as obras pedagógicas e didáticas.

Segundo o estudo, 75% dos brasileiros que se consideram leitores afirmou na enquete que sentem prazer na leitura, e o resto admitiu que só lê por obrigação.

A média de leitura dos brasileiros é dez vezes inferior à dos Estados Unidos e quase a metade à da Colômbia, país onde é lida uma média de 2,4 livros por ano, segundo as mesmas fontes.

O estudo indica que, no Brasil, 21 milhões de pessoas são analfabetas, que estão incluídas nos 77 milhões de habitantes considerados não leitores, e 95 milhões leem ativamente, segundo dados de 2007.


Obs.: No mercado editorial brasileiro, grande parte dos lançamentos literários são apenas oportunidades para o escritor marcar encontro com amigos. Tiragem de 10.000 exemplares é vista como um grande sucesso literário, numa população de mais de 170 milhões de habitantes. O povo brasileiro elegeu um presidente à sua imagem e semelhança, alguém que diz não ler porque livros dão dor de cabeça e jornais o deixam triste. Cada povo tem o presidente que merece, afinal ninguém se indigna pelo desprezo presidencial à leitura porque também não leem.

Estes números são fundamentais para pensarmos no mito da educação como solução para todos os males. Afinal, desconsiderando o percentual de analfabetos, é imenso o número daqueles que não leem simplesmente porque não querem. A acomodação cultural resulta na acomodação política. Não é à toa que se tornou um clichê político brasileiro afirmar que 'a culpa é do governo' para qualquer mal que surge. Assim um ente distante sempre cuidará das revoluções passivas enquanto ninguém mais se comprometerá ideologicamente.

Se Monteiro Lobato estiver certo e um país se fizer com homens e livros, mal somos um povoado de beira de estrada.


2 comentários:

analima disse...

Estes números são esmagadores. Mas a dimensão do país faz com que eles sejam, de facto, brutais. Penso que tem razão quando diz que não é só uma questão de educação. Também aqui, em Portugal, onde o número de analfabetos é praticamente residual, se lê muito pouco. É pena que os dirigentes políticos não contribuam para a mudança desse estado de coisas. Mas ainda há quem não entenda que também é através da leitura que se muda a forma como os cidadãos se posicionam no sistema democrático. Ou será que entendem?

Sérgio Coutinho disse...

Acredito que entendam mas não se importem. Um sinal disso é como leitores não sabem como é algo quase milagroso poder ter hábito de leitura hoje no Ocidente e abandonem tão facilmente essa prática. Ler e escrever por prazer tornaram-se habilidades transgressoras, independente do que leia e do que escreva.

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