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sábado, 14 de novembro de 2009

50 anos de inclusão social por meio dos personagens de Mauricio de Sousa

Na Folha, hoje:

A 6ª edição da revista "Tina", da editora Panini, apresenta o primeiro personagem aparentemente gay das histórias de Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica.

Caio, que é apresentado como melhor amigo de Tina na história de capa, assume ter um "compromisso" com outro rapaz, o que causa estranhamento para os outros personagens.

Mauricio de Sousa sabe bem, como sabem todos que conhecem bem o universo infanto-juvenil, que crianças e adolescentes não precisam ser protegidos da diversidade social, como apregoam adultos moralistas. Se tiverem exemplos de tolerância, saberão respeitar a diversidade de modos de viver e construirão sua própria identidade.

Apesar da Folha afirmar que Mauricio fez isso sem "levantar uma bandeira" o simples fato de trazer o tema para discussão sem estereótipos, sem que o personagem seja uma piada ambulante, com trejeitos efeminados, mas um homem com compromisso com outro homem, já é uma postura política. É uma bandeira LGBT que a diversidade sexual seja culturalmente abordada de modo espontâneo.

Ele não é o único a saber fazer isso. Na Vila Sésamo, nas histórias para o continente africano, há uma personagem que é uma menina infectada pelo vírus HIV. O produtor executivo do estúdio, sempre que dá entrevistas, é questionado sobre ser um tema muito pesado para um seriado infantil. Ele sempre responde que é algo do cotidiano das crianças em países em que há epidemia descontrolada de Aids. Incluir um personagem assim é respeitar as crianças.

Mauricio de Sousa já tem um personagem cadeirante, uma com deficiência visual, um com síndrome de down, um mudo, entre outras características de grupos socialmente em desvantagem, mas todos aparecem integrados às histórias sem serem "coitadinhos" nem "exemplos de superação", mas crianças brincando com outras crianças. As particularidades de cada um são exploradas no contexto de modo espontâneo.

Ao abordar o universo adolescente nas histórias da Tina, Mauricio está sabendo respeitar a mesma diversidade. Sendo ele referência em obras infanto-juvenis educacionais e campanhas voltadas a crianças e adolescentes, é um salto bem grande pela inclusão social.

Lembremos que neste ano ele completa 50 anos de carreira. Poderia estar apenas aproveitando as comemorações, fazendo mais do mesmo, mas procura integrar suas histórias aos nossos problemas do dia-a-dia como crônicas juvenis, correndo todos os riscos por tomar uma posição como se estivesse começando a escrever agora.

Parabéns pelos 50 anos de exemplo de estilo e atitude.


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