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terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Universidade do Prazer"

De Gilberto Dimenstein:

Universidade do Prazer

Diante da frase "baladas e jogos me motivam mais do que as aulas", apenas 16,1% dos estudantes das universidades da capital e região metropolitana de São Paulo disseram discordar totalmente. Uma expressiva parcela (52,3%) admitiu que fumou maconha; muitos certamente preferiam não revelar nada. Beijar na boca várias pessoas numa única noite é rotina. O resultado é que muitos enxergam no ensino superior um espaço de prazer, onde se misturam baladas, drogas e sexo.

Estamos falando aqui de 15 universidades, entre as quais USP, PUC, Unifesp, Mackenzie, FGV, FMU, Unip, Anhembi Morumbi -ou seja, locais que produzem a futura elite política, empresarial, cultural e social do país. Valorizar mais as baladas -a disseminação da maconha pelos campi ou as festas universitárias- do que as aulas seria apenas uma fase passageira, típica da liberdade e transgressão juvenis? Em parte sim, claro.

Para ler o artigo completo, clique aqui.

Situação semelhante foi analisada no contexto espanhol por Clovis Rossi, no artigo "A impunidade da ignorância" com comentários comparando com outras universidades no blog Que Cazzo, sob o título "Entre o burocratismo e a anomia". Para ler, clique aqui.

Comentando, após a leitura dos dois artigos:

Deixei comentários por lá, mas vale a pena deixá-los aqui.

Já pensaram no que será então nosso cotidiano docente no ensino superior quando os egressos do Ensino Médio em (até) 2 meses estiverem no ensino superior? Supletivo agora ficou ainda mais rápido. Em menos de um semestre, alguém salta de um ensino fundamental feito na infância para, já adulto(a) e sem hábito de leitura, em dois meses já estar supostamente/formalmente apto(a) ao ensino superior. É o caos. Mas o MEC reconhece esses cursos.

E como para o REUNI é preciso ter cada vez mais vagas e estimular o discente a ficar na universidade, ele(a) terminará seu curso. Cedo ou tarde, ele(a) concluirá seu curso. E irá ao mestrado, onde em diversos cursos brasileiros sobram vagas e já são feitas até 2 chamadas após o resultado, para cobrir o n. de vagas. Se não cobrirem o número de vagas, perdem bolsas e podem comprometer a avaliação da CAPES que mantém os cursos funcionando. E, assim, ele(a) será mestre.

Vi num mestrado um professor explicar aos alunos porque usariam texto em espanhol na aula, com semblante de culpa, como se fosse tortura. Naquele caso deveria ser mesmo.

Mas ele(a) concluirá o mestrado e irá ao doutorado. Durante toda a vida estudantil conheceu a burocracia e soube aproveitá-la para concluir créditos, obter certificados, tudo dentro da legalidade. Tem estímulo para disputar títulos, colecionar créditos e obter diplomas. Sabe que estudar é apenas um obstáculo que às vezes é colocado no seu caminho, mas que se lembrar de como rotineiramente são elaboradas as avaliações e do baixo nível que o cerca, saberá como o professor tende a corrigir. E sempre se sairá bem. Reprovado às vezes ou não, vai se sair bem, pois conseguirá terminar os cursos. Sem aprender, mas que diferença faz para ele (a)?

Somos cada vez em menor número órfãos do Iluminismo, confiando demais numa Razão à qual cada vez menos gente no mundo dedica alguma atenção.

Como bem diz o texto no Que Cazzo, é a condição de otários. Mas otários úteis à burocracia. Pelo menos, não seremos extintos.



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